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11 de março de 2012

The Secret (Penúltimo Capítulo)

Capítulo 15 - Perdas

 Arthur ainda estava lá, ele dormia tranquilamente que me deu pena de acordá-lo. Sentei na cama me espreguiçando, mas logo tratei de levantar e vestir alguma roupa. Quando acabei de vestir minha calça jeans percebi alguém se aproximando de mim no caso,Arthur . Ele me abraçou por trás e eu apenas sorri. 
- Bom dia né. – eu disse me virando de frente para ele, que ainda estava um pouco sonolento.
 
- Bom dia. – ele sorriu.
 
Sophia ainda não havia chegado e eu não tinha a visto desde ontem à noite no pub. Talvez a culpa seria daquele garoto loiro. Ou não.
 
Arthur também se vestiu,escovamos os dentes,penteados os cabelos e fomos tomar café da manhã. Não era uma mesa farta como em casa,mas dava pra se virar. Torradas e suco,era o que tínhamos.
 
- Temos mesmo que voltar pra Brighton? – falei pegando uma torrada.
 
- Sim. Esqueceu da escola? – ele me lembrou que eu tinha faltado dois dias e que eu havia perdido o baile.
 
- Ah,não foi tão ruim faltar esses dois dias – dei uma mordida na torrada – Pelo menos não compareci naquele baile idiota.
 
- É,eu também não fui. Não tinha muita graça sem certas pessoas lá. – ele fez uma cara de pensativo,o que me fez rir.
 
- Quem são “certas pessoas” ? Sua namorada,
 Aguiar? – arqueei uma sobrancelha fingindo não saber quem é a namorada dele. E realmente,tinha certa dúvida nisso. 
- Hm,acho que é uma garota chamada...
 Luinha... Lua. – ele disse de uma forma engraçada, mas eu não conseguia saber se estava sendo irônico ou não. 
- Ah é? Então por que você nunca a pediu em namoro? – tentei não dizer isso,mas o impulso foi maior. Só espero que ele não me dê uma resposta que faça-me quebrar o coração. Mas “fala o que quer,ouve o que
 não quer”. 
Ele parou um tempo parar mastigar sua torrada, mas como sempre ele me surpreendeu. Levantou-se de sua cadeira,deu a volta até mim,ajoelhou-se no chão e tocou em minhas mãos que nesse momento,estavam tremulas.
 
-
 Lua Blanco, você aceita... – uma voz feminina o interrompe. 
-
 Luinha! QUE BOM QUE VOCÊ JÁ ESTÁ AQUI... – Sim, Sophia havia chegado. Ela mal chegou e estava falando e falando... Arthur logo tratou de sentar-se em sua cadeira novamente e eu continuei onde estava. Ela foi até a cozinha e nos viu. Olhou-nos com uma cara estranha e logo disse: 
- Oi,Aguiar. – era perceptível o ódio em seu olhar,parecia que eu conseguia ler seus pensamentos toda vez que ela olhava pra mim.
 
- Eu vim buscar a... Vim buscar vocês. Seus pais estavam preocupados,e
 Luinha,sua mãe queria vir comigo mas eu não deixei,falei para que ela esperasse que hoje mesmo estaríamos de volta. –Arthur disse tentando disfarçar, acho que ele também percebeu o olhar dela. 
- Por que veio “nos buscar” ? Viemos com o carro e é assim que vamos. – ela disse encostando-se a parede. – Er... sobre o carro que eu queria falar com você,
 Luinha. –Sophia estava me confundindo. 
- Diga. – disse involuntariamente.
 
- Ontem,você foi embora com aquele Nat... enfim,depois que você foi embora,aquele garoto loiro quis me trazer para cá mas eu disse que tinha carro e podia voltar. Fomos juntos até o estacionamento e chegando lá,o carro havia sumido. – ela deu uma pausa curta – e essa não é a parte pior... a parte pior é que TODOS meus cartões de crédito,documentos,carteira,dinheiro estavam lá dentro. Ou seja,estamos em Londres em um hotel cinco estrelas mas não temos dinheiro para pagar. – finalizou ela, cansada por fim.
 
Fiquei boquiaberta, mas não disse palavra alguma. Talvez não houvesse nenhuma explicação para tal fato.
 
- Quando eu posso te matar? – eu disse com a cabeça abaixada.
 
- Bom gente,não há motiv... – o toque do meu celular interrompeu
 Arthur . Olhei no visor e marcava: “Nate”. 
- É, licença. – me levantei dali e fui até a janela do quarto atender.
 
“E ai,está melhor?” - disse Nate calmamente.
 
“É... estou sim, só um pouco cansada.” – menti,mas era por justa causa.
 
“Hum,então quando a gente vai se ver de novo?” – essa era a frase que eu mais temia,e que ele fez questão de fazer.
 
“Não sei,estou voltando para Brighton ainda hoje.” – eu disse olhando para trás pra checar se realmente ninguém estava ouvindo minha conversa.
 
“Ah que pena. Mas agora?” – Nate insistia.
 
“Sim” – disse sem êxito.
 
“Promete que me liga?” – ele perguntou.
 
“Prometo. Agora preciso realmente ir Nate,tchau.” – desliguei o telefone antes mesmo que ele pudesse responder.
 
Quando ia voltando para a cozinha,
 Sophia estava sentada em um puff e Arthur no sofá,ambos em silêncio. 
- Bom,vamos então? –
 Arthur disse parecendo não ter se importado com a minha chamada recebida. 
Descemos até o térreo e
 Arthur foi à recepção dar um jeito de pagar a nossa estadia. Aquele homem só podia ser um anjo. Ele me salvava de todas as coisas e sempre chegava no momento certo. E era exatamente isso que fazia minha consciência pesar. Querendo ou não,Nate era sim atraente e eu encostei meus lábios nos deles. Não passou disso, mas Arthur não merece isso,não MESMO. 
Eu fiquei esperando ele com
 Sophia, que parecia nervosa. Poucos minutos ele voltou. 
- Pronto, tudo certo. – fomos andando até o estacionamento,Arthur foi dirigindo. Fiquei um tanto confusa se ia no banco da frente ou atrás com
 Sophia. Mas optei por ir na frente. 
Logo ele deu partida no carro e pela janela fui vendo o hotel se distanciar cada vez mais,até atingir meu limite de visão e eu não conseguir mais vê-lo.
 
Já estávamos na estrada que ligava Londres à Brighton. Ver Londres, aquela cidade maravilhosa, se distanciar cada vez mais me bateu uma tristeza indescritível. Fiquei ali,com minha cabeça encostada no banco da frente daquele carro,esperando até que chegássemos em Brighton foi quanto o celular de
 Arthur tocou. 
- É o
 Micael, fala que eu não posso atender agora. – ele disse sem despertar sua atenção à estrada,apenas me dando o telefone. 
Assenti e atendi.
 
“Fala
 Micael” – eu disse sem muita euforia. 
“Luinha... eu preciso falar algo pra você.” – ele disse com um tom triste em sua voz.
 
“Fala
 Micael,você está me assustando.” – eu disse sincera. 
“Não... acho que é melhor ainda não,quando vocês chegarem eu falo tudo.” – ele disse ainda triste.
 
“Ok,tchau então.” – eu disse.
 
“Tchau.” – ele respondeu.
 
Estava curiosa para saber o que
 Micael iria dizer,mas sentia que não era coisa boa. De repente me bateu uma tristeza,e todos os meus erros que já cometi começaram a rodear minha cabeça me fazendo sentir culpada. Mentir para minha melhor amiga,destruir o namoro dela e se já não bastasse ainda... Eu de um certo modo,havia traído Arthur . Traição não significa, pra mim,só fisicamente. A partir do momento que eu começo a sentir atração e um sentimento diferente por outro homem, já é praticamente uma traição. 
Continuei pensando e observando a estrada.
 Sophia havia adormecido,Arthur prestava atenção na estrada e eu só em meus pensamentos idiotas. 
Algumas horas depois,Arthur quebrou o silêncio.
 
- Finalmente estamos em Brighton. – ele disse alegre, como se isso fosse algum motivo para tal reação.
 
O carro continuou em movimento,estávamos já próximos à minha casa. Logo ele parou o carro em frente e todos nós descemos para entrar. A casa estava estranha. Pelo menos por fora... Algo havia acontecido,não tinha mais o branco alegre e a grama verde de antes. Entramos calmamente e chegando lá,Micael e
 Chay estavam sentados no sofá,com a cabeça abaixada. 
- O que foi,gente? – perguntei,essa foi a minha grande recepção. Todos com cabeças abaixadas.
 
Micael levantou-se do sofá e veio em minha direção,logo o mesmo me abraçou.
 
-
 Luinha... Que bom que você está de volta. – o tom de voz dele estava meio choroso. 
-
 Micael,o que houve? Eu sei que não está tudo normal. – disse séria. 
Chay foi com
 Arthur para a cozinha,provavelmente para conversarem algo. E eu fui me sentar no sofá,para aguardar até que Micael respondesse a minha pergunta. 
Liguei a televisão,coloquei em qualquer canal de notícias. Quando ia prestar atenção,Arthur entrou na frente do televisor empatando minha visão.
 
- Deixa eu ver por gentileza,Arthur . – pedi encarecidamente.
 
- Não... Ah, quer saber,é melhor você ver logo,vai saber de qualquer jeito. – ele saiu da minha frente e sentou-se ao meu lado, me abraçando pela lateral de meu corpo.
 
“Boa tarde Brighton,estamos no quilometro 20 da estrada que liga Brighton à Londres e aqui atrás um terrível acidente automobilístico. O carro da senhora Julie
 Blanco que estava indo em direção à Londres,tombou nesta curva aqui atrás. Não há notícias boas,neste exato momento o corpo está sendo levado para ver o que exatamente aconteceu e a vítima faleceu.” 
Fiquei paralisada olhando para a televisão e logo as lágrimas vieram.
 
- Eu não acredito. E-e-e-u... Matei minha mãe. – eu chorava cada vez mais e quase não conseguia falar.
 
Arthur veio me abraçar.
 
- Claro que não. Eu já passei por isso e me senti exatamente como você,
 Luinha. Mas a culpa não é sua. – ele tentava me consolar,mas não funcionava muito bem. De qualquer jeito,minha mãe estava quase morta por minha culpa. O que ela estava indo ver em Londres? Com certeza estava indo me procurar. Eu sai daqui,sem avisar,sem dar notícias. 
-
 Luinha,na verdade... A culpa é minha. – Sophia apareceu na porta da cozinha vindo em minha direção. 
- Gente! –
 Micael gritou – Não é hora pra falar de quem é a culpa. 
Eu continuava a chorar. Eu estava sozinha naquela casa e eu ainda sou de menor até o próximo mês. O que significa que vou ter que morar com alguém, ou o meu pai volta para casa,o que provavelmente não vai acontecer.
 
De repente meus pensamentos foram interrompidos pela campainha,Chay tratou de ir abri-la e um policial pediu licença para entrar na casa.
 
- Por favor a senhorita
 Lua Blanco? – ele pediu já entrando na casa. 
- Eu. – eu disse secando as lágrimas.
 
- Sua mãe,Julie
 Blanco,correto? – ele perguntou. 
- Sim. – respondi.
 
- Ela acabou... Enfim, falecendo num acidente de carro, como você já deve ter tomado conhecimento.
 
- Correto. – afirmei.
 
- Preciso que você assine aqui neste atestado de orbito, e como a senhorita é menor de idade, conforme a justiça inglesa opõe,terá de morar com o seu pai. – ele disse me entregando um papel.
 
- Mas... O meu pai mora em Paris. – eu disse deixando escapar algumas lágrimas.
 
- Exatamente. Terá de ir pra lá até completar seus dezoito anos. – ele disse sem mudar sua expressão séria.
 
Definitivamente eu não estava acreditando. Eu teria de ir pra Paris, morar com meu pai.
 
- E não tem como eu recorrer? Porque sabe, eu e meu pai não nos damos muito bem. – menti seca, entregando-lhe o papel assinado.
 
- A senhorita vai ter que ir até o fórum procurar saber disso porque eu não posso informa-lhe. Bem,agora preciso me retirar,obrigado pela atenção . – ele saiu pelo mesmo local onde entrou.
 

Acordei e soltei um leve bocejo, virei para o lado e me assustei ao perceber que

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