Capítulo 4
(Arthur)
Ter a Lua de volta foi tudo de
melhor que poderia ter acontecido na minha vida. Àqueles cinco anos foram os
piores da minha vida. Apesar de tudo o que aconteceu com a banda, apesar do
nosso sonho ter sido realizado, nunca nada será capaz de suprir o que é estar
com a Lua.
Ela
pode até não acreditar, mas eu trocaria tudo o que eu vivi e estou vivendo com
a banda para ter passado com ela todos esses anos.
Sei
que é egoísta, já que a banda não é formada só por mim, mas é a verdade.
Ter
ela nos meus braços me faz o homem mais feliz do mundo. Posso chorar, só de
olhar para ela. Posso chorar só de pensar nela. Porque ela é tudo pra mim.
Tudo
que eu queria era tirar dela todo o sofrimento, todas as experiências ruins.
Tudo que a machuca, tudo que a fere.
Tudo
que eu quero é proteger ela de todo o mal que tem sobre a Terra, mas eu sei que
não posso. Sei que diante de tudo o que aconteceu, sou impotente. E essa impotência
me consumia, me consumia de raiva, angustia, dor.
Tinha
que ser forte. Tinha que ser forte por ela. Sei que ela não admitia, mas ainda
estava machucada. Sei que ainda tinha marcas de tudo. Apesar do tempo, ela ainda
não as tinha curado. O tempo só fez com que ela se acostumasse a viver, a lidar
com a dor.
Eu
sofri tanto, sofri como nunca pensei que sofreria. Mas sei que meu sofrimento
não chega perto do sofrimento dela. Nunca chegará.
(Fim)
Não sei por quanto tempo ficamos
assim. Sei que depois de algum tempo, dormimos. Eu nos braços dele, como sempre
deveria ter sido.
Acordamos quando acenderam a luz e
anunciaram que serviriam o jantar.
Eu e Arthur escolhemos arroz com
batata cozida. Nesse prato também veio um mousse de sobremesa.
Apesar
de comida de avião não ser lá tão boa, nós comemos tudo. Após todos terminarem
as refeições eles recolheram as bandejas e novamente apagaram as luzes.
_ Que horas são? – perguntei
deitando novamente no ombro de Arthur.
_ São quatro horas da manhã – Ele respondeu
olhando no relógio.
_ Ainda falta muito – resmunguei
enquanto puxava o cobertor.
_ Dorme tranquila – ele falou num
sorriso.
Arthur puxou o cobertor dele, e
então voltamos a dormir.
Mais algumas horas se passaram. Às
oito horas da manhã eles nos acordaram novamente, mas para servir o café da
manhã.
Cada
um recebeu um pão francês, uma torrada, uma geleia e uma manteiga.
Tomamos
nosso café da manhã em silêncio, e ficamos assim até que as aeromoças passaram
e recolheram as bandejas.
_ Quer dormir mais? – Arthur me
perguntou.
_ Ah... Não sei – Respondi
bocejando.
_ Quer assistir ou ouvir alguma
coisa?
_ Não sei.. Acho que não. – E você?
– Perguntei me encostando na poltrona.
_ Tanto faz, o que você quiser. –
Ele sorriu. Eu sorri.
_ Ah... Assim não vale! – Fiz bico.
_ Não vale por quê?
_ Porque não vale!!! – Falei fazendo
bico de novo. E ele sorriu olhando para mim.
_ Claro que vale. – Eu sorri olhando
para ele.
_ Ok. – Eu me rendi. – Vamos escutar
musica?
_ Vamos.
Arthur pegou o fone de ouvido que
recebemos e conectou no braço da cadeira. Acessamos a tela dele e escolhemos um
CD para ouvir. Novamente, deitei minha cabeça no ombro dele.
_ Arthur – falei depois de um tempo.
_ Oi?
_ Eu to medo.
_ Eu sei, linda.
_ E se eu não conseguir entrar no
meu apartamento?
_ Se você não conseguir, você não
entra.
_ Mas e se meu passado continuar me
assombrando?
_ Não vai.
_ Mas--.
_ Luinha – ele falou me
interrompendo – Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Passou por tudo que
passou sozinha. Abriu mão de tanta coisa. E viveu--.
_ Sobrevivi. – Interrompi ele.
_ Mas está aqui. Viva. Pronta para
recomeçar uma vida nova.
_ Mas e se eu não conseguir começar
essa vida nova?
_Claro que vai. Não sei se vai ser
fácil ou difícil. Mas não será pior do que tudo que você passou. Você vai
conseguir. Você sabe. Não deixa o medo te consumir. Não deixa o medo tomar
conta de você.
_ Mas e se eu não conseguir?
_ Você vai.
_ Mas--.
_ Você vai – ele repetiu me
interrompendo – Você vai porque eu estarei do seu lado, sempre. Para te apoiar
quando você cair. Para te dar um ombro quando você quiser chorar. Para dizer
“eu te amo”, sempre que o medo te fizer esquecer.
_ Eu nunca esqueci, nem nunca vou
esquecer. – Falei olhando nos olhos deles.
_ Eu te amo – Ele falou.
_
Eu também te amo – eu repeti.



















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