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1 de agosto de 2012

Nunca Mais 2ª Temporada



Capítulo 4



(Arthur)

            Ter a Lua de volta foi tudo de melhor que poderia ter acontecido na minha vida. Àqueles cinco anos foram os piores da minha vida. Apesar de tudo o que aconteceu com a banda, apesar do nosso sonho ter sido realizado, nunca nada será capaz de suprir o que é estar com a Lua.
Ela pode até não acreditar, mas eu trocaria tudo o que eu vivi e estou vivendo com a banda para ter passado com ela todos esses anos.
Sei que é egoísta, já que a banda não é formada só por mim, mas é a verdade.
Ter ela nos meus braços me faz o homem mais feliz do mundo. Posso chorar, só de olhar para ela. Posso chorar só de pensar nela. Porque ela é tudo pra mim.
Tudo que eu queria era tirar dela todo o sofrimento, todas as experiências ruins. Tudo que a machuca, tudo que a fere.
Tudo que eu quero é proteger ela de todo o mal que tem sobre a Terra, mas eu sei que não posso. Sei que diante de tudo o que aconteceu, sou impotente. E essa impotência me consumia, me consumia de raiva, angustia, dor.
Tinha que ser forte. Tinha que ser forte por ela. Sei que ela não admitia, mas ainda estava machucada. Sei que ainda tinha marcas de tudo. Apesar do tempo, ela ainda não as tinha curado. O tempo só fez com que ela se acostumasse a viver, a lidar com a dor.
Eu sofri tanto, sofri como nunca pensei que sofreria. Mas sei que meu sofrimento não chega perto do sofrimento dela. Nunca chegará.

(Fim)

            Não sei por quanto tempo ficamos assim. Sei que depois de algum tempo, dormimos. Eu nos braços dele, como sempre deveria ter sido.

            Acordamos quando acenderam a luz e anunciaram que serviriam o jantar.
            Eu e Arthur escolhemos arroz com batata cozida. Nesse prato também veio um mousse de sobremesa.
Apesar de comida de avião não ser lá tão boa, nós comemos tudo. Após todos terminarem as refeições eles recolheram as bandejas e novamente apagaram as luzes.

            _ Que horas são? – perguntei deitando novamente no ombro de Arthur.
            _ São quatro horas da manhã – Ele respondeu olhando no relógio.
            _ Ainda falta muito – resmunguei enquanto puxava o cobertor.
            _ Dorme tranquila – ele falou num sorriso.
            Arthur puxou o cobertor dele, e então voltamos a dormir.
           
            Mais algumas horas se passaram. Às oito horas da manhã eles nos acordaram novamente, mas para servir o café da manhã.
Cada um recebeu um pão francês, uma torrada, uma geleia e uma manteiga.
Tomamos nosso café da manhã em silêncio, e ficamos assim até que as aeromoças passaram e recolheram as bandejas.
           
            _ Quer dormir mais? – Arthur me perguntou.
            _ Ah... Não sei – Respondi bocejando.
            _ Quer assistir ou ouvir alguma coisa?
            _ Não sei.. Acho que não. – E você? – Perguntei me encostando na poltrona.
            _ Tanto faz, o que você quiser. – Ele sorriu. Eu sorri.
            _ Ah... Assim não vale! – Fiz bico.
            _ Não vale por quê?
            _ Porque não vale!!! – Falei fazendo bico de novo. E ele sorriu olhando para mim.
            _ Claro que vale. – Eu sorri olhando para ele.
            _ Ok. – Eu me rendi. – Vamos escutar musica?
            _ Vamos.

            Arthur pegou o fone de ouvido que recebemos e conectou no braço da cadeira. Acessamos a tela dele e escolhemos um CD para ouvir. Novamente, deitei minha cabeça no ombro dele.

            _ Arthur – falei depois de um tempo.
            _ Oi?
            _ Eu to medo.
            _ Eu sei, linda.
            _ E se eu não conseguir entrar no meu apartamento?
            _ Se você não conseguir, você não entra.
            _ Mas e se meu passado continuar me assombrando?
            _ Não vai.
            _ Mas--.
            _ Luinha – ele falou me interrompendo – Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Passou por tudo que passou sozinha. Abriu mão de tanta coisa. E viveu--.
            _ Sobrevivi. – Interrompi ele.
            _ Mas está aqui. Viva. Pronta para recomeçar uma vida nova.
            _ Mas e se eu não conseguir começar essa vida nova?
            _Claro que vai. Não sei se vai ser fácil ou difícil. Mas não será pior do que tudo que você passou. Você vai conseguir. Você sabe. Não deixa o medo te consumir. Não deixa o medo tomar conta de você.
            _ Mas e se eu não conseguir?
            _ Você vai.
            _ Mas--.
            _ Você vai – ele repetiu me interrompendo – Você vai porque eu estarei do seu lado, sempre. Para te apoiar quando você cair. Para te dar um ombro quando você quiser chorar. Para dizer “eu te amo”, sempre que o medo te fizer esquecer.
            _ Eu nunca esqueci, nem nunca vou esquecer. – Falei olhando nos olhos deles.
            _ Eu te amo – Ele falou.

            _ Eu também te amo – eu repeti.

Um comentário:

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