Cap. 30
‘Acho que eu esqueci alguma coisa’ Sophia dizia parada na calçada, em frente à casa de Rodrigo, no domingo.
‘Contanto que não seja a sua mala’ Lua disse e riu ao levar um tapa da prima.
‘Nossa, vocês não sabem o saco que foi pra convencer meu pai a me deixar ir’ Ana disse pras amigas. Os garotos estavam conferindo o caminho que fariam segundo as informações que Lua passara.
‘Sério?’ Mel perguntou ‘Os meus deixaram numa boa’
‘Meu pai começou a implicar quando eu disse que os meninos iam também’ Ana revirou os olhos.
‘Eu tive que ligar pros meus pais pra avisar porque, vocês sabem, eles não param em casa nunca’ Lua contou ‘Eles estavam se preparando pra uma reunião de negócios na hora, nem devem ter ouvido o que eu falei. Por isso deixei um bilhetinho’
‘Ah, então tá beleza’ Sophia abanou a mão.
‘Se eles olharem na porta da geladeira, tudo bem’ Lua encolheu os ombros e elas riram.
‘Hey gente’ Micael chamou ‘vambora?’
As meninas concordaram e todos foram pros carros. As malas já estavam nos porta-malas. Tinha ficado decidido que Lua, Micael e Sophia iriam no carro de Arthur e os outros iriam no carro de Chay. Lua mal entrou no carro e colocou no rádio seu CD do Blink 182 pra tocar. Sophia, sentada no banco de trás com Micael, fez cara feia.
‘Aaah Lua, sem tortura’ ela protestou.
‘Você está em minoria aqui, então fica quieta’ Lua gritou do banco da frente, aumentando o volume da música. Arthur riu e Micael beijou Sophia, tentando consolar a menina.
‘Arthur’ Lua diminuiu o volume do rádio ‘o carro do Chay não deveria estar na frente do nosso?’
‘Nosso não, meu’ Arthur disse rindo ‘É, deveria, mas vai ver que eu o ultrapassei e nem vi. Hey casal’ ele disse olhando pelo retrovisor pra Sophia eMicael, que interromperam um beijo ‘dá pra ver se o carro do Suede está aí atrás?’
‘Hum’ Sophia olhou pra trás, mas não viu nada além da escuridão da estrada ‘Nop, nem sinal’
‘Por quê?’ Micael perguntou se recostando no banco e puxando a garota, que deitou a cabeça no peito dele.
‘Porque o carro dele devia estar perto do meu’ Arthur disse. Lua olhou pra ele com os olhos cerrados.
‘Você entrou naquela saída à esquerda que estava no mapa?’ ela perguntou séria.
‘Ué, você não viu não?’
‘Você sabe que eu estava trocando o CD’ ela arqueou uma sobrancelha ‘Então, entrou lá ou não?’
‘Claro’ ele respondeu tamborilando no volante.
‘Mentira!’ Sophia gritou no banco de trás. Micael riu e selou a sua boca na da garota, antes que ela falasse mais alguma coisa.
‘Entrou ou não?’ Lua arqueou a outra sobrancelha.
‘Tá bem, tá bem, não entrei’ Arthur disse e viu a menina mirar um tapa na cabeça dele ‘Desculpa, eu esqueci de olhar no mapa, foi mal mesmo’ disse rapidamente. Lua baixou a mão.
‘Pelo menos você sabe onde nós estamos?’ perguntou.
‘Bem, não’ ele disse ‘mas deve ter algum retorno por aqui’
‘Desculpa falar cara, mas tu nunca vai enxergar um retorno nesse breu todo’ Micael disse olhando a estrada escura pela janela ‘nem com os faróis ligados’
‘Valeu dude’ Arthur disse irônico.
‘Arthur Aguiar’ Lua disse entre dentes, cruzando os braços ‘não me diga que nós estamos perdidos’
‘Certo, nós não estamos perdidos’ ele disse calmamente.
‘Arthur! Larga de ser mentiroso’ ela disse alto dando um tapa no braço do menino, que se encolheu.
‘Ei, você disse pra eu não dizer que estamos perdidos, eu fiz o que você pediu’ disse. Sophia e Micael riram no banco de trás, mas Lua continuou com a cara fechada.
‘Muito engraçadinho, há há’ ela zombou sarcástica e virou a cara pra janela ‘Seria ótimo se essas suas gracinhas levassem a gente pro caminho certo de novo’
‘Meu bem, tenha calma’ ele disse devagar ‘A gente vai encontrar um retorno, estou te dizendo’
Lua apenas bufou, sacudindo os ombros, como se dissesse “acho bom mesmo”. Micael e Sophia balançaram a cabeça e voltaram a se beijar, se ajeitando no banco de trás pra ficarem mais confortáveis durante o resto da viagem. Arthur tentou ignorar o casal no banco de trás e continuou dirigindo, olhando pra frente e quase rezando pra que na próxima curva da estrada houvesse uma placa indicando um possível retorno. Poucos minutos depois, o carro começou a desacelerar sozinho. Lua olhou pra Arthur quando ouviu o motor falhando.
‘O que está havendo?’ ela perguntou preocupada. Arthur olhou no painel do carro e fez uma careta, o que deixou a menina mais preocupada ainda ‘O que está havendo, Arthur?’ ela repetiu.
‘O combustível está acabando’ ele respondeu falando baixo, temendo ouvir um berro em seguida. E foi exatamente o que ele ouviu.
‘O QUÊ?’ Lua berrou. Micael e Sophia pularam no banco, assustados.
‘O que foi?’ Sophia perguntou olhando pra prima ‘O que há agora?’
‘Você não abasteceu antes de viajarmos, não é?’ Lua cerrou os olhos, olhando pra Arthur seriamente. O menino negou com a cabeça, lentamente. Ela passou a mão pela testa ‘Meu Deus. Ah meu Deus, meu Deus’
‘Por que estamos parando?’ Micael perguntou ao perceber que o carro estava cada vez mais lento.
‘Eu vou te esganar Arthur Aguiar!’ Lua gritou se segurando pra não pular no pescoço do garoto.
‘Ó, seguinte’ Arthur olhou pros amigos no banco de trás, pelo retrovisor ‘o combustível do carro está acabando e, provavelmente, vamos parar daqui a alguns metros. Mas, pelo amor de Deus, tenham calma’ ele emendou ao ver a cara desesperada que Sophia fazia.
‘Tenham calma, essa é boa’ Lua rolou os olhos ‘Você fez a gente se perder, depois acaba o combustível do carro, só porque você foi irresponsável ao ponto de não abastecer antes de viajarmos, graças a isso nós vamos ter que parar no meio do nada e você ainda quer que tenhamos calma?’
‘É’ Arthur disse simplesmente e levou um tapa no braço.
‘Me poupe’ ela cruzou os braços e voltou a olhar pela janela.
‘Olha, não adianta nada estressar agora’ Micael disse em defesa do amigo, mas desistiu ao ver o olhar aborrecido que Sophia lançou sobre ele ‘Ok, eu calo a boca’
‘Vamos esclarecer umas coisinhas aqui’ Sophia ajoelhou e colocou a cabeça entre os bancos da frente ‘Primeiro, eu não vou descer pra empurrar o carro caso precise. Segundo, se a gente encontrar algum lugar pra abastecer...’
‘Só por milagre’ Lua resmungou baixinho. Sophia fingiu não ouvir e continuou falando.
‘... eu não vou querer seguir viagem hoje. Terceiro, parem de brigar porque isso não vai resolver nada!’ disse quase gritando na orelha da prima.
‘Ouviu?’ Arthur olhou pra Lua, com um ar vitorioso. Lua lhe lançou um olhar maligno e o menino voltou a olhar pra frente. Sophia voltou a sentar direito no banco de trás e Micael a abraçou. Quinze minutos depois, o carro quase nem andava mais. De repente, Lua soltou um grito, apontando pra frente.
‘Luz! Olhem, tem alguma coisa iluminando a estrada!’ ela disse se empolgando com isso. Micael e Sophia olharam por entre os bancos. Realmente, havia luz na estrada.
‘Será que tem algum doido que mora nesse fim de mundo?’ Micael perguntou.
‘Espero que sim’ Sophia disse esperançosa ‘Arthur, não tem como andar mais rápido não?!’
‘Se eu acelerar, o combustível vai acabar mais rápido’ Arthur disse.
‘Acelera logo!’ Lua gritou e Arthur não pensou duas vezes antes de obedecer. Ela, Micael e Sophia colaram os rostos nas janelas do carro, olhando pro lado de onde vinha a luz que iluminava a estrada.
A luz vinha de um casarão, com pelo menos uns quatro andares. Naquela luz amarelada, o casarão não tinha o melhor dos aspectos, mas na situação em que eles estavam, qualquer coisa estava valendo. Arthur parou no acostamento, bem na frente do casarão. Havia mais três ou quatro carros estacionados ali. Os quatro jovens desceram do carro e correram pra dentro do casarão, que tinha as portas abertas. Chegaram numa espécie de hall, com um balcão de madeira escura, uns sofás velhos e uma escada. Uma senhora apareceu atrás do balcão.
‘Pois não, jovens?’ ela disse sorrindo amavelmente. Arthur olhou pros outros, que pareciam apreensivos. Sophia segurou com força no braço deMicael. Lua encarou a senhora respeitavelmente.
‘Hum, boa noite’ disse ‘O combustível do nosso carro acabou e nós precisamos de algum lugar pra, pelo menos, passar a noite. A senhora sabe aonde podemos conseguir isso?’
‘Aqui mesmo, na minha hospedagem’ a senhora disse balançando a cabeça ‘Por acaso eu tenho dois quartos vagos, um no segundo e outro no terceiro andar’ ela se virou, pegou dois molhinhos de chaves que estavam pendurados na parede e os colocou em cima do balcão ‘Acho que seria perfeito pros casais’
Sophia deu uma risadinha e escondeu o rosto corado atrás do ombro de Micael, que sorriu rolando os olhos. Arthur olhou pra Lua, que fingiu não ouvir essa última parte e continuou encarando a senhora atrás do balcão.
‘Bem, eu acho que nós vamos aceitar’ ela disse e Arthur concordou, pegando as chaves no balcão ‘Creio eu que não podemos ficar aqui de graça, certo?’
‘Vocês devem estar cansados, amanhã vemos isso’ a senhora sorriu novamente, do mesmo jeito que antes.
‘Ok’ Lua retribuiu o sorriso como cortesia ‘Nós vamos buscar nossas malas e voltamos logo’
A senhora apenas assentiu com a cabeça e os quatro saíram da tal hospedagem, correndo até o carro.


















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