Capítulo 8
Eu não sabia o que fazer e só fiquei sentada olhando para a mão que Arthur estendia para mim.
- Você pode, por favor, pegar a minha mão e me acompanhar pra gente poder conversar ou eu vou ter que ficar aqui em pé com cara de bobo enquanto suas amigas ficam rindo de mim? - Ele sorriu para mim, aquele sorriso de lado ia acabar me matando um dia.
- Não deixe o pobre rapaz esperando . – Alice sorriu para mim.
- Não seja tão cruel. – Essa Sop é muito cachorra mesmo, me empurrou para que eu levantasse.
- Para onde a gente está indo Arthur? - Perguntei enquanto subíamos as escadas e eu reparei que ele já estava bêbado.
- Para um lugar onde a gente pode conversar com calma. - Ele abriu a porta do quarto, fazendo com que eu entrasse na frente, eu sentei na cama com ele ao meu lado esperando ele começar a falar enquanto o meu coração batia a mil por hora.
- Antes de começar, eu queria que você soubesse que eu tentei me segurar para não te falar essa coisas.
- Arthur, eu...
- Por favor, não me interrompe antes que eu perca a coragem, ok? - Ele estava nervoso, torcendo a camisa com os dedos.
- Tudo bem Arthur. - Tentei relaxar enquanto olhava no fundo daqueles olhos que brilhavam mais do que nunca, o que eu posso dizer, foi uma missão quase impossível.
- Você lembra de como tudo isso começou? Espero que você lembre Luinha, porque eu não consigo esquecer nenhum detalhe daquela noite em que você entrou naquele pub mudando a minha vida para sempre, um mês depois nós já estávamos namorando e você me falou que sentia-se em um conto de fadas. – Senti meus olhos se encherem de lágrimas. – Muita coisa aconteceu de lá para cá, nos magoamos e erramos um com o outro.
- Você não errou comigo Arthur. - Falei soluçando.
- Você falou que não ia me interromper. – Ele enxugou as minhas lágrimas.
- Desculpa, pode continuar.
- Assim está melhor. – Ele deu um sorriso triste pra mim. – Eu também errei , eu sei dos meus erros, eu te deixei só algumas vezes e apesar de estar tentando fazer o que eu achava certo para nós dois eu não deveria ter colocado a minha carreira acima de você.
- Mas Arthur...
- Pelo amor de Deus mulher! Você quer calar a boca e me escutar? – Quando tinha certeza de que eu ia ficar calada ele continuou. – Eu errei, mas gostaria de reparar o meu erro, eu sei que o nosso conto de fadas foi um pouco distorcido e eu gostaria de ter a chance de tentar te fazer feliz. – Ele respirou fundo e olhou no fundo dos meus olhos. - Luinha, você aceita voltar a namorar comigo?
- Arthur, eu não sei se consigo. – Baixei a cabeça.
- Luinha, você me ama?
- Que pergunta é essa agora, Arthur? - Desviei o meu olhar.
- Só me responde , você me ama? - Ele segurou o meu queixo me encarando.
- Talvez eu..
- Você me ama ou não? E eu não quero ouvir você dizendo talvez, você vai dizer que me ama? Porque eu quero saber. - Eu fiquei muda e não esbocei nenhum tipo de reação. - O que foi Luinha? Isso é demais para você? Porque isso é muito para mim e eu entendo que você precise de um pouco de tempo. – Ele se aproximou beijando os meus lábios de leve e a minha única reação foi chorar.
- Por que você está chorando Luinha? – Ele parecia assustado.
- Desculpa Arthur, eu sou muito idiota mesmo.
- Não é não, você quer que eu te abrace enquanto você chora? - Eu assenti com a cabeça e me aninhei no peito dele.
- Eu te amo muito Arthur e se algum dia você duvidou disso, me desculpa, porque eu sei que eu dei motivos para isso.
- Você vai me dar outra chance, então? - Ele me olhou esperançoso e só pude assentir mais uma vez. Ele ficou radiante e me deu um beijo demorado cheio de paixão.
Ele colocou a mão na minha coxa fazendo com que eu sentisse uma vertigem e o empurrasse de cima de mim assustada.
- O que foi, amor? - Ele me olhava confuso.
- Desculpa Arthur, eu não estou pronta ainda, eu...
- Não precisa falar nada linda, me desculpa, eu que fui rápido demais, né?
- Não é isso Arthur, é que...
- Não fala nada, depois a gente conversa, eu só quero te sentir perto de mim. – Ele me beijou com todo o carinho fazendo com que eu me esquecesse do mundo.
Ficamos um tempão nos beijando até que alguém abriu a porta.
- O que é isso meu Deus? Arthur desgruda da menina, deixa ela respirar. – Tinha que ser o Micael. – Então isso quer dizer que vocês voltaram?
- Não Micael, quer dizer que a gente se odeia e estamos nos torturando lentamente. - Eu joguei uma almofada nele.
- A Sop está te chamando para ir para casa.
- Tudo bem, fala para ela que eu desço em um minuto. – Micael desceu as escadas pulando e nós ouvimos seus gritos na sala. – Rodrigo, a Luinha e o Arthur estão fazendo bebês lá na sua cama.
- Não estamos fazendo nada. – Arthur gritou e me encarou sorrindo. – E então princesa, vamos? Vou deixar você e a Sop na sua casa, ela me falou que vai dormir na sua casa hoje, aquela bruxa, me fazendo inveja.
Eu comecei a rir e antes de sair do quarto Arthur me puxou de volta e me deu um selinho demorado. – Eu vou fazer de tudo , para te fazer feliz, eu vou dar o melhor de mim para mudar e ser o cara perfeito para você. – Ele me olhava sério.
- Eu não preciso do cara perfeito Arthur, eu só preciso de você.
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- Amiga, por que você está com essa cara? – Sop estava radiante com a notícia da minha reconciliação com o Arthur. – Eu achei que era isso o que você queria.
- Eu nem sei mais o que eu quero. – A confusão fazia a minha cabeça doer terrivelmente.
- Você só vai ter o que quer quando você soube o que quer. – Ela arqueou a sobrancelha de forma bizarra.
- Sop, eu amo muito o Arthur e ele é o que eu mais quero no mundo, só que eu sinto que estou enganando ele.
- Luinha, por que você não aproveitou pra falar a verdade para ele? - Sop parecia decepcionada comigo.
- Eu ia falar Sop e eu tentei falar mais de uma vez até, mais ele não deixou.
- Tenta-se mais .
- Amanhã Sop, ele vem me buscar para assistir uns filmes na casa dele e eu prometo que conto tudo.
- Espero que conte mesmo, agora vamos dormir porque você vai ter um dia cheio amanhã.
Não consegui dormir um minuto sequer aquela noite, Sop dormia a sono solto na cama ao lado, mas eu estava confusa demais para pregar o olho por um segundo que fosse. Pensei em Arthur e em como eu sofri enquanto estava sem ele, eu tinha que tomar coragem e me abrir com ele, porque eu não agüentaria perder ele de novo.



















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