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14 de maio de 2012

Nunca Mais

Capitulo 06





- Alô. 
-
 Luinha? Sou eu, Arthur. 
- Oi
 Arthur, bom dia. 
- Bom dia linda, como você está se sentindo hoje?
 
-
 Arthur, você me fez essa pergunta ontem, antes de ontem e antes de antes de ontem e a resposta ainda é mesma: Eu estou bem. 
- Que bom saber, na verdade eu te liguei para perguntar se você não quer ir ao cinema comigo.
 
- Claro, onde a gente se encontra? - Ouvi ele suspirar aliviado do outro lado da linha.
 
- Eu vou aí te buscar, esteja pronta em meia hora, ok?
 
- Ok, beijo.
 
- Outro.
 
Desliguei o telefone e sai correndo para o banheiro para tomar um banho bem rápido, escolhi uma T-shit branca com umas tachinhas formando o nome Star, uma calça skinny preta e um all star vermelho, coloquei perfume, uma maquiagem leve e para finalizar escovei os meus cabelos até eles ficarem bem macios e brilhantes, caindo por cima dos meus ombros.
 
Ouvi a campainha tocar e corri para abrir a porta.
 
- Oi
 Arthur, eu só vou pegar a minha bolsa e a gente já pode ir. 
- Uau
 Luinha, você está linda. 
- Obrigada
 Arthur, você também. - Na verdade ele estava bem mais do que lindo com aquela camisa vermelha que destacava o tom de sua pele, a calça Jeans escura e o all star branco encardido, como sempre, e os cabelos rebeldes que nunca estavam no lugar. 
Ficamos calados durante todo o caminho até o cinema e a tensão entre nós dois era quase palpável, quando entramos na sala eu mal conseguia prestar atenção ao filme e percebi que
 Arthur também não, quando eu olhei para o lado ele estava me encarando e eu fiquei hipnotizada com aquele olhar, ele aproximou seu rosto do meu e quando ele me beijou suavemente, eu sai correndo sem olhar para trás. 
Ouvi passos me seguindo e tive uma sensação de deja vú.
 
-
 Luinha, espera aonde você vai? 
- Me solta
 Arthur, eu quero ficar sozinha. 
- Vamos, eu vou te levar pra casa. - Ele falou pegando no meu braço, fazendo com que eu me assustasse e puxasse o meu braço rapidamente.
 
- Não precisa me levar, eu sei me virar.
 
- Eu não vou te machucar
 . - Ele falou e eu pude sentir a tensão em sua voz. – Deixa eu te levar pra casa Luinha, você está nervosa e eu quero ter certeza de que você vai estar segura. 
- Tudo bem
 Arthur, vamos. - Eu entrei no carro e me sentei o mais longe possível dele, com medo de que nossos corpos se tocassem ao menos de leve, devido ao tamanho da atração que existia entre nós. Só voltei a falar quando estava na frente de casa. – Muito obrigada por me trazer Arthur, me desculpa por tudo. 
- Eu que te peço desculpas, eu não deveria ter te beijado, mas é que me pareceu à coisa certa a fazer sabe.
 
- Tudo bem, mas por favor, não faça mais isso porque só dificulta as coisas pra nós dois.
 
- O que foi
 Luinha, você costumava gostar de me beijar. - Sua voz era triste. 
- Isso foi antes de...
 
- Não precisa falar
 , eu já entendi tudo. - Ele estava com raiva. – É o Peter, não é? O que é que ele tem de tão especial que fez você desistir de nós? 
- Ele não tem nada de especial
 Arthur, muito pelo contrário, mas você nunca entenderia. - Eu falei com a voz fraca. 
- Bom, agora não importa mais não é mesmo, já que ele está morto.
 
- Como assim ele está morto? O que aconteceu? - Senti um tremor nas pernas e me sentei nos degraus da varanda.
 
- Ele morreu em um acidente de carro há três anos atrás, eu pensei que você soubesse.
- Eu nunca me interessei em saber nada do que fosse relacionado a esse sujeito e fiz aSop prometer que nunca mais falaria o nome dele perto de mim.
 
Ele me olhou confuso, depois balançou a cabeça e sentou ao meu lado na varanda.
 
- Sabe
 os últimos anos tem sido terríveis para mim, depois que você me deixou a minha vida perdeu todo o sentindo e mesmo quando a McFLY chegou ao sucesso ainda faltava alguma coisa, os meninos me apoiaram durante todo o tempo, mas nunca foi a mesma coisa, eu queria que você estivesse aqui comigo, sempre que a gente viajava para um lugar diferente e eu via algum lugar bonito eu desejava que você estivesse comigo, compartilhando a vista. - Ele olhou em meus olhos. 
- Me desculpa por ter te deixado
 Arthur, mas eu achei que estava fazendo a coisa certa. - Senti meus olhos encherem de lágrimas. 
- Certa para quem
 Luinha? Essa sua decisão só fez nós dois sofrermos mais, eu acho que se nós tivéssemos conversado as coisas seriam diferentes hoje em dia, mas você não teve nem a coragem de olhar na minha cara. 
- Eu sabia que você tentaria me convencer a não te deixar e, acredite, isso seria pior para nós dois.
 
- Mas eu ainda vou tentar te convencer a voltar para mim
 , porque o meu sentimento por você não mudou. 
Eu sabia que teria que magoar o
 Arthur mais do que eu já tinha magoado, mas eu tinha medo que ele descobrisse o que realmente tinha acontecido entre mim e o Peter e me rejeitasse por isso.
-
 Arthur, me desculpa, mas não tem jeito das coisas voltarem a ser como eram antes e eu não posso mais ficar com você. 
- A cada dia que se passava eu sentia mais a sua falta, principalmente no fim da tarde, sempre que eu via o pôr do sol queria que você estivesse ao meu lado compartilhando isso comigo. – Ele continuou falando como se não tivesse me escutado.
 
- O pôr do sol é lindo
 Arthur, mas como todas as outras coisas lindas sempre dá espaço pra noite sombria e assustadora cheia de erros e derrotas. - Senti uma lágrima descer pelo meu rosto e dei as costas para ele, porém, antes que eu entrasse em casa escutei a sua voz. 
- Você está enganada
 Luinha, a noite serve pra representar certos momentos na vida da gente onde achamos que tudo se perdeu junto com a escuridão, mas lembre-se que a noite sempre cede ao nascer de mais um dia glorioso, cheio de novos acertos e vitórias. Isso mesmo que você ouviu Luinha, acertos porque essa história de que é errando que se aprende é uma mentira enorme, porque errando não se aprende nada, do que adianta você ficar persistindo em um erro? A gente só aprende acertando. - Eu entrei em casa e fechei a porta sem olhar para trás. 

Arthur´s POV On* 


Entrei em meu carro e fiquei pensando no que
 havia me dito, ela tinha medo de se entregar por algum motivo e eu não podia forçar a barra, teria que me afastar dela e tentar viver a minha vida, por mais que isso doesse em mim, eu teria que tentar esquecê-la. 
Mas se essa é a coisa certa a fazer, por que dói tanto?
 

Flashback ON 


- Eu tenho que ir atrás dela
 Micael, não pode terminar assim cara. Eu não vou desistir de ficar lá na frente da porta do quarto dela, eu sei que um dia ela vai sair de lá e falar comigo. 
- Quantos dias você passou lá na frente da porta do quarto dela, dude? –
 Chay me olhou espantado. 
- Três dias cara, a
 Sop me chamou de doido, mais eu não quero abandonar a Luinha, alguma coisa muito grave deve ter acontecido para ela não querer falar comigo e eu exijo uma explicação. – Falei com toda a convicção. 
-
 Micael, eu vou falar pra ele. - Rodrigo falou apreensivo. 
- Não se mete
 Rodrigo. - Micael olhou furioso para ele. 
- Ele vai saber logo,
 Micael. – Rodrigo me olhou com pena. – Arthur, ela foi pro Brasil cara. 
Senti falta de ar e meus olhos encheram de lágrimas.
 
– Por que você não me contou
 Micael? 
- Desculpa
 Arthur mas ela me fez prometer que não te contaria nada, ela só me avisou depois que já tinha viajado porque ficou com medo de que você tentasse impedir, ela falou que precisava ir embora pro seu bem, eu não pude fazer nada, me desculpa. 
- Tudo bem
 Micael, eu estou indo nessa. 

- Para onde você vai
 Arthur? - Rodrigo me olhou estranho. 
- Para o Brasil. - Respondi simplesmente.
 
- E a nossa banda
 Arthur? - Chay me perguntou. 
- Que se dane a banda
 Chay! A mulher da minha vida acabou de me abandonar sem me dar uma explicação e você vem me falar em banda. - Eu não queria ter gritado com oChay, mas estava muito nervoso para me preocupar com isso agora. 
- Eu sei que você está sofrendo cara, todos nós amamos a
 Luinha, mas você ficar gritando comigo não vai resolver nada. 
- Desculpa cara. - Comecei a chorar e eles me abraçaram forte.
 
- Nós apoiamos qualquer decisão que você tomar
 Arthur. - Micael sorriu me encorajando. 
- E a banda não vai fugir, a gente vai ficar aqui no mesmo lugar esperando você voltar. -
 Rodrigo falou. 
- Trás a
 Luinha de volta Arthur. - Chay me empurrou para a porta. 
Sorri para eles e sai correndo pelo corredor do nosso pequeno estúdio e quando eu já estava perto da porta ouvi alguém me chamando.
 
- Oi Peter, será que a gente pode conversar outra hora? Eu estou com um pouco de pressa agora.
 
- Wow! Vai pegar o trem, é? - Ele sorriu pra mim.
 
- Na verdade vou pegar um avião.
 
- Posso saber pra onde?
 
- Para o Brasil cara, vou fazer a cabeça dura da
 me escutar e só volto quando ela aceitar casar comigo. 
-
 Arthur, você não pode simplesmente sair assim, quando você quiser. - Ele estava nervoso. 
- Eu posso e eu vou, se você me der licença... - Tentei passar por ele, que bloqueou a minha passagem.
 
- Você não pode perder essa chance, o grande show é amanhã foi muito difícil conseguir essa chance para vocês. - Ele falou alto.
 
- Se a gravadora realmente estiver interessada eles marcam outra data.
 
- É o seu futuro
 Arthur, e eu não vou deixar você jogar isso fora. - Ele agora gritava. 
- Eu não posso ter futuro sem ela do meu lado cara. - Tentei manter o meu tom de voz calmo.
 
- Se você sair por aquela porta a sua carreira está acabada!
 
- Eu não me importo.
 
- Aquela vadia não vale todo esse esforço
 Arthur. - Ele falou com frieza na voz e sorriu debochado para mim. 
- Não fala assim dela. - Eu dei um soco no rosto dele que cortou o lábio superior.
 
- Eu só estou falando a verdade e você ficar me socando não vai mudar o fato de que sua namorada transou comigo. - Ele continuava me encarando, os olhos sem expressão, como se ele tivesse certeza do que estava falando.
 
- Mentira!
 
- Eu queria que fosse mentira
 Arthur, mas não é. - Ele me olhava com pena. 
- Não, isso não pode ser verdade, a
 Luinha nunca faria isso comigo. - Comecei a chorar desesperado, sem saber o que fazer. 
- Eu quero te mostrar uma coisa. - Ele falou entrando em sua sala e eu não tive alternativa a não ser seguir ele, parecia que eu estava anestesiado, eu mal sentia as minhas pernas.
 
- Você reconhece isso aqui
 Arthur? - Olhei pra mão dele, mas não queria acreditar no que eu estava vendo, ele estava segurando a calcinha da Luinha, aquela mesma calcinha que ela estava usando no dia em que nós fomos juntos ao parque e o vento levantou o seu vestido, eu só conseguia me lembrar de como ela estava linda e no modo como ela sorriu feliz para mim. – Ela me deu isso depois que nós transamos e falou que era pra eu lembrar a noite que nós passamos juntos. - Ele continuava me olhando com pena, o que me fez ter vontade de vomitar. 
- Isso não pode ser verdade. - Eu falei com voz fraca. – Quando foi que isso aconteceu?
 
- No sábado, você lembra que eu sai do pub para atender ao telefone? Era ela me ligando, falou que estava triste porque vocês tinham brigado e pediu para eu ir a casa dela e quando eu cheguei lá ela estava chorando e nós conversamos um pouco e fomos nos aproximando e como eu já tinha bebido muito acabou rolando, eu me senti péssimo depois e tentei conversar com ela sobre isso, porque eu não queria te chatear, mas ela simplesmente deu de ombros e falou que você nunca descobriria e quando eu ameacei contar tudo ela falou que pelo menos assim você não ficaria atrás dela quando ela fosse embora para o Brasil, já que ela tinha planos de te deixar, de qualquer forma.
 
- Eu preciso ficar sozinho Peter. - Falei num fio de voz.
 
- Claro. - Ele saiu fechando a porta.
 
Fechei os olhos para controlar as ondas de náuseas que me invadiam e disquei o número de
 e depois do telefone tocar muitas vezes eu já estava desistindo, quando ouvi a voz fraca do outro lado. 
- Alô,
 Sop? 
-
 , sou eu. - Fechei os olhos ao perceber o quanto à voz dela estava fraca. 
-
 Arthur, eu achei que tinha deixado bem claro quando você foi a minha casa de que eu não queria mais nada com você. - Ouvi ela soluçar. 
-
 Luinha, eu preciso te perguntar uma coisa. - A essa altura eu já não continha as lágrimas. 
- Por favor
 Arthur, não me procure mais e nem ligue para mim, eu quero esquecer que você existe. 

Flashback OFF 


Ela desligou o telefone na minha cara e eu fiquei por um tempo sem saber o que fazer, depois disso passei semanas tentando falar com ela de novo, mas ela não me atendia, pensei em ir ao Brasil, mas
 Sop me fez esquecer essa ideia e falou que um dia eu entenderia tudo, mas que ela não podia me contar, foi um tempo de muito sofrimento para mim, mas isso me ajudou na minha carreira. 
Entreguei-me de cabeça ao trabalho, demitimos o Peter, já que eu não conseguia mais ficar no mesmo ambiente que ele e foi nessa época que nós conhecemos o Fletch que está conosco até hoje, foi ele quem conseguiu o primeiro contrato da banda e foi com ele que nós conseguimos o nosso primeiro “Number One”, aliás, primeiro de muitos que vieram em seguida, mas nem todas essas conquistas apagavam a falta que ela fazia em minha vida, eu a amava apesar dos seus erros e nem o tempo nem à distância conseguiram fazer com que eu a esquecesse.
 
Eu vivia dizendo a mim mesmo que não precisava mais dela e eu acreditava naquela famosa frase “Uma mentira dita muitas vezes se torna verdade” até que eu voltei a olhar dentro dos olhos dela e percebi que eu só deixaria de precisar dela quando eu morresse.
 
O destino tinha nos dado uma segunda chance, chance essa que eu não poderia desperdiçar.
 

Arthur´s POV Off* 

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