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14 de maio de 2012

Forbidden


Cap. 24
                       Roberta e Diego atacam de repórteres e entrevistam um ao outro 


Ela estava perto de casa, andando contra o vento gélido do anoitecer. Sorria sozinha, feliz pelo fato de ver sua prima tão animada, diferente de quando ela terminou o namoro com Michael. Micael acabou dando um ânimo novo pra Sophia, o que era ótimo. Lua queria ver a prima feliz e sabia que ao lado de Micael, que a amava tanto, ela seria mais do que feliz. Ela já ia descer a rua pra depois virar na próxima esquina e entrar no condomínio quando lembrou que precisava comprar alguma coisa pra comer aquela noite. Os pais já deviam estar na casa de um sócio numa cidade vizinha, onde iriam jantar, e ela não passava no mercado a um bom tempo. Pensou que seria mais prático se pedisse uma pizza, mas estava tão perto do mercado. Não custava nada entrar lá e pegar alguma coisa, nem que fosse um ou dois pacotinhos de miojo. Lua voltou alguns passos e entrou no pequeno mercado.

Arthur estacionou o carro na calçada mesmo. Não pretendia demorar, ia só pegar alguma coisa prática de fazer. Ele desceu do carro e correu pro mercado, indo direto pro corredor dos famosos “instantâneos”. Mal virou no corredor e estacou no lugar. Lua estava agachada na frente de uma gôndola, com dois copinhos de macarrão instantâneo. Ela parecia escolher qual levaria. Arthur sorriu e foi andando até a garota, parando silenciosamente ao lado dela.
‘Quer ajuda?’ perguntou numa voz grossa. Lua olhou pra cima e sorriu ao reconhecer o garoto.
‘Caramba, que susto’ ela ficou em pé ‘Não sei qual eu levo. Qual seria mais adequado pra uma noite de domingo fria é solitária?’ perguntou rindo e olhando de um copinho pro outro.
‘Hum, não precisa ser solitária se você não quiser’ ele disse quando uma idéia lhe ocorreu de repente. A garota o encarou confusa ‘Não quer jantar lá em casa?’ convidou corajosamente.
Lua voltou a olhar pros copinhos de macarrão, pensativa. Não sabia se era certo aceitar aquele convite depois do que acontecera no dia anterior. Por outro lado ela imaginava que Arthur não tentaria repetir a dose, não depois do que conversaram dentro do carro dele.
‘Bem, acho que é melhor do que ficar sozinha’ ela disse por fim e ele sorriu.
‘Eu prometo não ser muito chato e você pode ir embora quando quiser, não vai nem precisar andar muito’ disse.
Os dois riram indo pra ponta do corredor, na direção dos caixas e da saída do mercado. Lua ia mais atrás quando lembrou que tinha que devolver os copinhos. Ela correu de volta até a gôndola. Arthur olhou pra trás. Por um momento ele apenas ficou sorrindo, observando as roupas dela. O blusão que a menina vestia era tão grande que ia até metade das coxas dela, cobrindo grande parte da calça jeans cuja barra dobrava embaixo do all star preto.
‘Ei!’ ele chamou alto, acordando do seu pequeno transe quando viu Lua abandonar os copinhos na gôndola. A garota olhou pra ele ‘Traga isso de volta. Eu não sou cozinheiro profissional, meu bem’ disse. Lua pegou os copinhos de volta e correu até ele, rindo.

‘Você não é cozinheiro profissional, mas seu macarrão instantâneo fica mais gostoso que o meu’ Lua disse rindo. Arthur deu uma piscadinha pra ela.
‘Eu tenho meus truques, babe’ disse maroto. Os dois estavam sentados no chão da sala de Arthur, comendo macarrão instantâneo, bebendo refrigerante e assistindo Friends.
‘Eu ainda não acredito que isso está reprisando’ Lua apontou com o garfo pra televisão ‘Deve ser a vigésima vez que eu vejo esse episódio do macaquinho’
‘Eu nem ligo’ Arthur deu de ombros ‘Isso é cômico’
‘Não quando você já sabe tudo que vai acontecer’ ela riu ‘Acho que a última vez que assisti eu ainda morava em Los Angeles’
‘Você não tinha me dito que morou em Los Angeles, só falou de Miami’
‘É que em Los Angeles eu passei menos de três meses, nem contou muito’ ela disse indiferente. Arthur tomou um gole de refrigerante e olhou pra ela.
‘Você nunca pensou em simplesmente não acompanhar seus pais nessas mudanças freqüentes que eles fazem?’ perguntou. Lua ficou olhando pro macarrão dentro do potinho e suspirou.
‘Bem, já. Na verdade eu nunca gostei de ficar me mudando sempre, chega uma hora que você fica de saco cheio’ ela disse num tom meio chateado, mexendo com o garfo no macarrão ‘Mas sabe como é, eu sou menor de idade, ainda tenho que acompanhar meus pais’
‘Que eu saiba, se eles permitirem que você fique no país, você não precisa ir com eles’ ele disse pensativo.
‘Você não está errado, mas meus pais pensam que essas mudanças constantes são boas pra minha educação, porque obrigatoriamente eu acabo aprendendo um pouco da língua de cada país por onde passo. E acho que eles também imaginam que eu vá arrumar um emprego como o deles, então devem achar que eu preciso me acostumar com essa vida maluca que eles levam’
‘Sinceramente, eu acho que já teria pirado com tudo isso’ Arthur balançou a cabeça. Lua riu e olhou pra ele.
‘Às vezes eu acho que vou ficar louca se tiver que me mudar mais uma vez, mas eu sempre acabo aceitando a decisão dos meus pais’
‘Como você acha que seria sua vida sem todas essas mudanças?’ ele perguntou tomando um gole de refrigerante.
‘Não sei, mas eu sempre me imaginei morando no Brasil’ ela sorriu com o canto da boca ‘viveria lá até ter idade pra fazer faculdade. Como meu sonho é entrar em Harvard ou Princeton, então eu sairia do país e estudaria em lá. Acho que essa seria a única mudança que eu faria em toda a minha vida’
‘Bom, é algo bem menor comparado ao que seus pais fazem’ ele disse e ela riu.
‘Sem dúvidas’ concordou colocando uma garfada de macarrão na boca ‘Ah, olha só’ disse apontando pra televisão ‘espera só pra ver o que vai acontecer agora...’
Arthur olhou pra TV e os dois caíram na risada com a cena do seriado. Ele olhou pra garota e sorriu. Certo, quando pensara em passar mais tempo sozinho com Lua, não era exatamente aquela cena dos dois comendo macarrão em copinhos e vendo Friends na televisão que lhe veio na cabeça, mas estava sendo bom do mesmo jeito. Contanto que Lua estivesse ao seu lado, qualquer minuto, fazendo o que quer que fosse, seria bom.

‘Saaaaaaaaaaaaaiê’ Lua gritava, apertando todos os botões do controle do vídeo-game ‘Aaaaah maldição, agora você vai ver!’
‘Nããão! Hey, isso foi golpe baixo’ Arthur reclamou vendo seu boneco cair no chão.
‘Eu acertei a barriga, nem vem’
‘Foi nada! Foi direto na cabeça!’
‘Mas foi na de cima’ ela disse e eles desataram a rir.
Os dois ainda estavam sentados no chão. Os copinhos de macarrão e as latinhas de refrigerante foram esquecidos de lado e a mesinha de centro foi empurrada pra um canto pra que os dois tivessem mais espaço pra jogar. Arthur estava encostado no sofá, com os joelhos pra cima, tentando pela quinta vez dar uma revanche em Lua, que estava de pernas cruzadas, com as costas encostadas nos joelhos do garoto.
‘Dessa vez vai ser pra valer hein’ Lua avisou ‘Você vai tombar de novo, e de novo, e de novo’
‘Só se você roubar de novo, e de novo, e de novo’ Arthur disse concentrado.
‘Arthur, isso é Mortal Kombat. Como é que eu posso roubar?’ ela perguntou rindo. Ele deu de ombros e continuou concentrado no jogo ‘Agora...’ ela sorriu maldosa, se preparando pra dar um fatality.
‘Não, de jeito nenhum’ ele largou seu controle de lado e rapidamente esticou os braços pra pegar o dela. Como a garota estava bem na frente dele, não foi difícil fazer isso. Lua viu o controle sair das suas mãos e olhou pra trás, indignada.
‘Mas que sacana!’ gritou pulando em cima do garoto, que largou o outro controle rindo sem parar enquanto a menina lhe fazia cócegas ‘Isso é pra você aprender, seu bandido’ ela disse e trocou as cócegas por tapinhas.
‘Bandido não’ ele segurou as mãos dela, que desequilibrou e caiu pro lado. Arthur foi pra cima dela e começou a retribuir as cócegas ‘eu só fui um pouquinho esperto’
‘Ban-di-do!’ ela insistiu entre risadas escandalosas e ele fez mais cócegas. Lua estava quase chorando de tanto rir ‘Pára, Arthur... eu tô ficando... sem ar’ ofegou gargalhando. Arthur riu da cara vermelha dela e parou com as cócegas, rolando pro lado.
Eles se entreolharam, jogados no chão, e riram um do outro. Lua virou a cabeça pro lado, rindo, e viu seu controle. Ela o alcançou e olhou praArthur.
‘Olha e aprende, gatinho’ disse. Arthur olhou pra televisão e viu seu boneco cair depois de levar o fatality que ela prometera. Lua desatou a rir de novo, sentando e se encostando ao sofá ‘Tudo isso pra eu te ganhar! Depois de tudo isso eu ainda te venci! Loser!’
‘Não joga na cara, falou?!’ ele disse ofendido, mas riu com ela em seguida. Olhou pra televisão e viu o “Game Over” piscando na tela. Olhou pra Lua e viu que ela tentava recuperar o fôlego, com o rosto escondido nos braços sobre o sofá. Ainda deitado, se arrastou pra mais perto da garota e deu dois puxões no blusão dela. Lua olhou cansada pra ele.
‘Se você começar tudo de novo, eu te mato’ disse.
‘Você acha mesmo que eu tenho pique pra isso?’ ele perguntou rindo. Ela sorriu e deitou ao lado dele ‘Você me humilhou no vídeo-game hoje, fato’ disse passando o braço sob os ombros dela. Lua riu e encostou a cabeça no peito dele ‘Acho que vou pegar uns dias pra praticar’
‘Não pense que vai se igualar a mim, porque não vai’ ela disse olhando pro teto como ele ‘mas, se você praticar bastante, quem sabe eu te deixo ganhar na próxima’
‘Próxima só no ano que vem’
‘Medroso’ ela disse e os dois riram. Arthur dobrou o braço que estava sob a garota e começou a brincar com o zíper do blusão dela. Levou um tapinha na mão ‘Por que você não mexe no teu nariz?’
‘Porque meu nariz não tem zíper’ ele falou simplesmente a fazendo gargalhar. Voltou a brincar com o zíper, abrindo um pouco do blusão e voltando a fechá-lo.
‘Quer fazer o favor de manter meu blusão fechado? Não tem nada pra você ver aí’ ela olhou pra ele, que arqueou uma sobrancelha.
‘Como assim 
nada?’ perguntou. Lua deu um beliscão na barriga dele ‘OUTCH! Foi só uma pergunta’
‘Quieto, Aguiar! E você entendeu o que eu quis dizer’ ela voltou a olhar pro teto, ajeitando melhor a cabeça no peito dele. Arthur deu uma risada e continuou brincando com o zíper. Respirou fundo e sentiu o perfume doce da menina. Sorriu se sentindo satisfeito por estar onde estava e com quem estava.

Lua acordou sentindo um movimento na parte de trás da calça. Já estava pensado em dar um soco em Arthur, mas quando abriu os olhos viu que a mão dele estava em cima da sua barriga e não na sua bunda. Ela abafou uma risada ao se tocar que seu celular devia estar vibrando. Pegou o aparelho no bolso da calça antes que ele começasse a tocar, se mexendo o mínimo possível.
‘Alô’ atendeu falando baixo.
‘Liguei quinhentas vezes na sua casa e ninguém me atende’ Sophia disse meio brava do outro lado da linha.
‘Hum, meus pais devem ter resolvido passar a noite na casa do tal sócio’ Lua resmungou. Sophia bufou.
‘Eles são meus tios, mas que se danem. Onde você está a uma hora dessas?’ perguntou. Lua levantou um pouco a cabeça. O vídeo-game ainda estava ligado e o “Game Over” continuava piscando. Ela olhou as horas no vídeo-cassete inutilizado; eram quase três da madrugada.
‘Caramba, deve fazer mais de uma hora que estou dormindo’ disse mais pra si mesma do que pra prima, voltando a deitar a cabeça. Arthur mexeu o braço em cima dela, mas não acordou.
‘Dormindo aonde?’
‘Na casa do Arthur’ Lua respondeu simplesmente.
‘Como é que é?’ Sophia perguntou devagar ‘Por que diabos você está na casa do Aguiar, às três madrugada, dormindo?’
‘Acho que três da madrugada é um horário bem próprio pra se dormir’ Lua disse calmamente.
‘Eu sei disso, mas... o que você está fazendo na casa dele nesse horário?’ Sophia colocou a mão na testa ‘Ah caramba, não vá me dizer que você ficou com ele de novo’
‘Claro que não’ Lua deu uma risadinha, achando graça na reação da prima ‘Olha, amanhã eu te explico o que aconteceu, ok?!’
‘Me explicar?’ Sophia franziu a testa ‘Como assim? Tem alguma coisa pra explicar?’ perguntou com a voz começando a ficar esganiçada.
‘Cala a boca’ Lua disse rapidamente, prevendo que a prima poderia começar a gritar a qualquer minuto e acabar acordando Arthur com isso. Olhou pro garoto e viu que ele continuava dormindo tranqüilamente ‘Se você gritar vai acordar o Arthur’
‘Arthur está dormindo com você?’ Sophia sussurrou arregalando os olhos ‘Deus do céu! O que vocês fizeram?’
‘Vai dormir, Sophia’ Lua riu baixo ‘Amanhã a gente conversa’
‘Mas...’
‘Bom final de noite e até amanhã’ Lua desligou não só a ligação como o celular também, evitando que a prima tornasse a ligar.
Ela tirou o braço de Arthur de cima da sua barriga e sentou no chão. Passou a mão pelo rosto e tentou ajeitar o cabelo. Ela bocejou ainda sonolenta e olhou pro garoto. Ele mexeu com a cabeça e continuou dormindo. Lua ficou com pena de acordá-lo. Levantou, desligou o vídeo-game e a televisão e pegou a chave de casa que deixara em cima da mesa de jantar na sala. Destrancou a porta do apartamento dele e saiu, encostando-a e foi pro seu próprio apartamento. Não percebeu que estava sorrindo ao fechar a porta.

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