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18 de maio de 2012

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Cap. 28


Lua desceu do carro de Duncan e seguiu o garoto pra dentro da lanchonete. Lá dentro não estava muito cheio e Duncan guiou Lua até uma mesa no fundo do lugar. Lua sentou na frente dele e o encarou.
‘Você falou que queria conversar, mas ficou mudo quase o caminho inteiro’ ela disse. Duncan deu uma tossida, se preparando pra falar o que queria.
‘Olha Lua, eu sei que a gente não saiu muitas vezes, mas quando saímos foi ótimo pra mim. Cara, você é uma garota maravilhosa, realmente especial, e eu não quero fazer as coisas do jeito errado. Eu me sinto muito bem ao seu lado, mas às vezes eu fico confuso, principalmente quando te vejo com os seus amigos’
‘Por que isso?’ ela perguntou.
‘Eu não sei direito. As meninas tudo bem, mas aqueles garotos... eles não me passam confiança, sabe?’ ele balançou a cabeça ‘Eu não consigo ficar perto de você e deles sem me sentir desconfortável. Aquele dia no Gas mesmo, por mais que parecesse que eu estava me divertindo com eles, eu não via a hora de sair daquela mesa. Eu gosto de ficar contigo, mas não com eles por perto. Você me entende?’
‘Eu até posso te entender’ ela disse compreensiva ‘mas eles são meus amigos, Duncan, e eu não vou trocá-los por nada’
‘Eu sei e não estou pedindo pra que você faça isso’ ele negou rapidamente ‘Só estou dizendo isso pra que você entenda as minhas atitudes e meu desconforto perto deles. É por isso que eu não falo mais com você no colégio, porque você sempre está com eles’
‘Não foi só dentro do colégio que você me ignorou. Poxa Duncan, você poderia ter me ligado’
‘Eu estava confuso, não estava pensando direito, fiquei com medo de dizer alguma coisa errada. Desculpe’ ele disse sem graça. Lua sorriu com o jeito dele.
‘Certo, tudo bem’ disse.
‘Eu achei que você devia saber dessas coisas, por isso quis conversar’ ele respirou fundo, parecia aliviado ‘Sei que coisas assim podem atrapalhar o nosso relacionamento, mas como já está tudo esclarecido, eu... eu não sei, eu queria muito ficar com você, mesmo’
‘Bem, você foi sincero comigo, eu vou ser contigo. Você é um cara legal e divertido Duncan, eu também gostei de sair com você, mas como você disse essa implicância com os meus amigos pode atrapalhar qualquer coisa que a gente tenha em comum. Por exemplo, nessas férias eu vou viajar com o pessoal’
‘Como assim com o pessoal?’ ele arqueou uma sobrancelha.
‘Exatamente o que você entendeu Duncan, o pessoal são as meninas e os garotos também’ ela o viu abrir a boca pra falar, mas ergueu a mão e ele fechou a boca, esperando que ela continuasse ‘Vamos passar uma semana viajando, nós oito. Como eu sei que você desconfia dos garotos, na verdade sem ter um motivo real pra isso, eu não sei se vai ser uma boa a gente firmar alguma coisa agora’
‘M-m-mas por que não?’ ele perguntou nervoso. Gostava de verdade daquela garota, não queria ficar sem ela. Seria injusto, ainda mais se fosse por causa dos amiguinhos dela.
‘Eu vou viajar com meus amigos, provavelmente você vai viajar com os seus. Não quero que você fique desconfiando de mim enquanto estou viajando e nem que faça nenhuma besteira por causa dessas desconfianças bobas’
‘Ah, ok, você está certa. Não seria legal se isso acontecesse mesmo’ ele riu nervoso ‘Eu gosto muito de você Lua e confio em você, o problema está nos seus amigos’
‘Se você não aprender a confiar neles...’ ela ergueu os ombros.
‘Eu sei, eu sei, não vai dar certo’ ele disse balançando a cabeça. Lua viu que ele não sabia o que fazer e achou isso bonitinho. Pegou nas mãos dele que estavam sobre a mesa.
‘Podemos resolver isso depois da minha viagem, Duncan? Eu acho que seria melhor, assim nós temos um tempo pra pensar e tudo mais’
‘É, seria melhor assim mesmo. Mas, olha...’ ele passou a mão pelos cabelos loiros. Ela sorriu ‘você me promete que vai se comportar lá?’
‘Duncan!’ ela disse rindo e ele riu também.
‘Certo, brincadeira. Eu só queria que você pensasse bem no que eu te disse porque é sério, Lua. Eu gosto muito de você, quero realmente ficar contigo’ ele deu um sorriso incrivelmente encantador, que fez a menina sorrir também.
‘Eu vou pensar, pode deixar’ ela disse o tranqüilizando.
‘Ótimo. Hum, bem’ ele olhou pro balcão da lanchonete e depois pra ela novamente ‘quer pedir alguma coisa pra comer?’ e ela riu.
‘Eu até estou com fome, mas não posso ficar. Preciso ir embora, combinei de passar na casa da minha prima nesse horário’ ela mentiu. O que queria mesmo era ficar sozinha, quem sabe caminhar, pensar um pouco.
‘Ah, ok então’ ele levantou da mesa e os dois saíram da lanchonete. Pararam ao lado do carro dele ‘Vamos, eu te levo até lá’
‘Não precisa, eu vou a pé mesmo’ ela disse e viu ele fazer uma cara de “tem certeza?” ‘é sério, eu vou a pé. Não é muito longe’
‘Se você prefere assim’ ele encolheu os ombros e aproximou seu rosto do dela, numa tentativa de lhe beijar os lábios. Lua foi com a cabeça pra trás.
‘A gente não combinou que ia resolver isso depois da minha viagem?’ ela perguntou.
‘Ah, por favor, só um’ ele pediu fazendo uma cara meiga.
‘Nop’ ela negou rindo ‘Isso é sério’
‘Ok, ok’ ele balançou a cabeça e, numa rapidez incrível, estalou um beijo na boca da menina antes de entrar no carro. Olhou pela janela e viu a cara surpresa que ela fazia.
‘Safado’ ela disse devagar. Duncan riu e mandou um beijo, ligando o carro. Ela ficou parada na calçada até que o carro dele sumisse na esquina. Lua deu meia volta e começou a caminhar, sem um rumo certo. Ela só precisava pensar em tudo que tinha acabado de ouvir.

Arthur estava sentado no banco de concreto do playground abandonado. Era sempre pra lá que ele ia quando precisava pensar ou quando estava confuso. Dessa vez ele estava lá porque não sabia mais o que fazer em relação à Lua. Cada dia gostava mais dela, mas parecia cada vez mais difícil contar sobre isso a ela. Na verdade era aí que estava seu maior problema: contar a ela. Ele não sabia se seria o melhor a fazer ou se aquilo acabaria com a amizade dos dois. Ele queria tanto que as coisas fossem mais simples, mais fáceis de resolver.
‘Que coincidência você aqui’ ele ouviu e virou a cabeça. Lua se sentou ao seu lado e sorriu pra ele.
‘Acho que posso dizer o mesmo’ ele disse e ela riu, olhando pro playground ‘O que veio fazer aqui?’
‘Não sei’ ela encolheu os ombros ‘Eu estava andando e vim parar aqui’
‘Problemas?’ ele perguntou. Lua negou com a cabeça.
‘Não, na verdade acho que só preciso pensar um pouco’ disse. Arthur olhou pro playground.
‘Eu sempre venho aqui quando preciso pensar. Bem, pelo menos desde que isso aqui foi abandonado’
‘Parece um lugar tranqüilo’ ela disse e olhou pra ele ‘Então, também está precisando pensar? Espero não estar atrapalhando’
‘Ah não, não tem problema. Eu acho que nem tenho mais o que pensar mesmo’ ele encolheu os ombros ‘Parece que quanto mais eu penso, mais confuso eu fico’
‘Sei como é isso. É uma droga’ ela riu e colocou as mãos nos bolsos do blusão. Arthur olhou pra ela e sorriu ao reparar que ela vestia o blusão branco.
‘Também está confusa?’ perguntou.
‘Mais ou menos. Eu só estou precisando assimilar certas coisas, decidir outras’ ela disse ‘mas eu não sei por que estou me preocupando com isso agora. Eu tenho tempo pra pensar, foi isso que ficou resolvido. E eu nem sei por que essa confusão toda, foi tão bom ouvir aquilo’ ela dizia mais pra si mesma do que pra ele.
‘Não espera que eu entenda o que você quer dizer, espera?’ ele perguntou de uma forma engraçada. Ela riu e olhou pra ele.
‘Desculpe, viajei. É que estava conversando com o Duncan até agora a pouco e o papo com ele me deixou meio assim’ ela colocou os pés em cima do banco e abraçou os joelhos. Arthur voltou a olhar pro playground, se sentindo mal em ter que olhar pra menina enquanto ela falava sobre Duncan ‘Ele me disse umas coisas que, tipo, claro que eu gostei de ouvir, mas outras coisas me deixaram meio confusas’
‘O que ele te disse?’ Arthur perguntou secamente. Lua ficou corada, sem jeito de contar o que Duncan lhe dissera, ainda mais pra Arthur, com quem já tinha ficado. Ela baixou a cabeça, se achando idiota mais uma vez por estar agindo assim. Arthur era seu amigo, um grande amigo, se preocupava com ela, nada mais natural ele querer saber daquelas coisas. Arthur percebeu que ela ficou quieta ‘Não precisa falar, se não quiser’ disse no mesmo tom seco. Ela olhou pra ele de novo.
‘Ah não, tudo bem. Hum, Duncan me disse que gosta de mim, de verdade, que quer ficar comigo à sério e... bem, você entendeu’ ela riu envergonhada. Arthur concordou com a cabeça, sentindo seu estômago revirar tanto que achou que poderia vomitar se abrisse a boca pra falar alguma coisa ‘Mas depois ele disse que havia algumas coisas que, digamos, o atrapalhavam de ficar perto de mim. Foi isso que me deixou confusa porque, se eu ficar com ele, não sei como ele vai lidar com esses... hum, obstáculos’ ela disse sem graça, se sentindo mal por estar tratando seus amigos como obstáculos na sua vida amorosa.
‘Você vai ficar com ele?’ Arthur perguntou sentindo as mãos suarem frio. Passou as mãos pelo cabelo, nervoso.
‘Bem, não’ Lua disse e olhou pro balanço do playground que estava se mexendo com o vento. Arthur reprimiu um suspiro de alívio ‘Pelo menos não até voltarmos de viagem’ ela concluiu. Arthur esqueceu do alívio que sentira segundos atrás e teve vontade de se bater. Como fora tolo ao pensar que Duncan desistiria de Lua tão fácil assim.
‘Hum, espero que você se acerte com o Duncan’ ele mentiu tentando ser o mais convincente possível.
‘Vamos dar tempo ao tempo e ver o que acontece’ ela disse e levantou do banco, andando com as mãos nos bolsos pelo playground. Arthur apoiou os cotovelos nos joelhos e seguiu a menina com o olhar. Ela sentou no gira-gira, sorrindo ‘Você já teve vontade de voltar a ser criança?’
‘Já’ ele disse simplesmente. Não se conteve e sorriu olhando pra ela. Era assim, ele não conseguia ficar mal por muito tempo ao lado dela.
‘Eu sei que isso pode parecer patético’ ela disse rindo e passando a mão pelo brinquedo ‘mas as coisas são mais fáceis quando somos crianças. Acho que tudo se torna mais fácil porque o “talvez” e o “não sei” não existem quando somos pequenos, é simplesmente sim ou não’
‘Verdade’ ele concordou. Viu Lua fechar os olhos, segurando no gira-gira, e sorrir como uma criança faria. Uma brisa leve fez o cabelo dela balançar no ar. Ele sorriu mordendo a boca, contendo a vontade de levantar e abraçar aquela menina.
‘Hey Arthur’ ela chamou abrindo os olhos. Ele levantou as sobrancelhas ‘está com fome?’
‘McDonald's?’ ele sugeriu.
‘Hmm, melhor do que macarrão instantâneo hein’ disse de uma forma engraçada. Arthur abriu a boca, irônico.
‘Absurdo, absurdo’ disse balançando a cabeça e os dois riram. Levantou do banco ‘Vamos, eu pago’ ele a chamou com a mão. Lua pulou do gira-gira e foi correndo até ele.
‘O que tem pra fazer hoje?’ ela perguntou desinteressadamente enquanto saíam do playground.
‘Quer me quebrar no vídeo-game mais tarde?’ Arthur olhou pra ela, que sorriu contente ao retribuir o olhar.
‘Ah cara, você é demais sabia?!’ ela estalou um beijo na bochecha dele e voltou a olhar pra frente. Ele sorriu sentindo as bochechas incharem e uma sensação engraçada na barriga. Abraçou a menina pelos ombros, caminhando com ela pela calçada, com o pensamento fixo de que nada poderia dar errado se ela estivesse ao seu lado.

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