Image Map

16 de abril de 2012

"Forbidden"

Cap. 7
                                                     



‘Meu, não acredito que você vai deixar de sair com a gente por causa disso’ Sophia fez cara feia pra prima quando pararam perto dos portões do colégio. Era horário de saída na segunda-feira.
‘Sophia, eu já te disse’ Lua começou, cansada de ter que repetir a mesma justificativa desde que dissera que não poderia sair com as primas e as amigas naquela tarde ‘Meus pais nem param em casa e se eu não fizer as compras ninguém vai fazer. As coisas lá em casa estão acabando e eu vou passar no mercado hoje mesmo. Vou aproveitar que tem um lá perto do meu prédio’
‘Seus pais bem que podiam contratar uma empregada hein’ Mel comentou.
‘Pra quê?’ Lua encolheu os ombros ‘Pra ter que demiti-la no mês que vem, quando eles decidirem que vão se mudar de novo? Pra isso?’ ela franziu a testa. As garotas trocaram olhares e foi Ana quem soltou a pergunta.
‘Você não vai se mudar mês que vem, vai?’
‘Bom, não...’ ela respondeu e viu as outras sorrirem ‘Mas não vou ficar o resto da vida aqui, tenho certeza disso’ o sorriso das outras murchou um pouco.
‘E é por isso mesmo que você tem que aproveitar!’ Mel exclamou, tentando argumentar ‘Sai com a gente hoje, Lua. Você pode fazer as compras na quarta ou, sei lá, de noite’
‘Se eu pudesse ficar sem nada pra comer eu até adiaria, mas tem que ser hoje mesmo. Sinto muito, o passeio fica pra outro dia’ ela encolheu os ombros acenando pras garotas e saiu andando pela calçada. Ana viu a amiga virar na esquina e olhou pras outras.
‘Coitada da Lua, ter que bancar a dona-de-casa não deve ser legal’ disse.
‘Ela tem que cuidar da casa, porque se não fizer isso ninguém mais faz. E ela também precisa de um tempo pra se acostumar com nosso jeito’ Sophia defendeu a prima.
‘Ela precisa de um tempo e eu preciso de uma manicura agora’ Mel disse, olhando pras unhas. As outras riram.

Arthur fechou a porta da recepção. Já fazia bastante tempo que voltara do colégio, tempo suficiente pra conversar com Micael na escada, subir em casa pra almoçar e agora descer pra escada de novo. Quando ele sentou no degrau costumeiro, Micael já estava lá, lendo um gibi.
‘Você não cansa dessa história?’ Arthur perguntou ao ver que o gibi era do Batman. Micael vivia lendo aquilo.
‘Não. Sempre aparecem umas mulheres gostosas aqui’ Micael riu.
‘Eu me interesso mais pelas que são feitas de carne e osso, não pelas de tinta e papel’ Arthur disse e Micael bateu na cabeça dele com o gibi.
‘Batman entende de mulheres, quem sabe ele não nos dá umas dicas?’
‘Vai nessa’ Arthur balançou a cabeça ‘Mas será que você pode largar essa porcaria agora? Temos coisas importantes pra decidir’
‘Tipo?’ Micael perguntou, deixando o gibi de lado.
‘Tipo as músicas que vamos tocar no show’
‘Ah sim. Cara, eu não sei direito’ Micael deu de ombros ‘O que achou da sugestão do Rodrigo hoje?’
‘Que sugestão?’ Arthur arqueou uma sobrancelha.
‘Ele sugeriu um cover dos Beatles no intervalo hoje. Você não ouviu?’ Micael franziu a testa. Arthur coçou a cabeça.
‘Erm... não. Eu estava... distraído’ disse. Micael riu.
‘Claro, olhando pra Lua, sei como é. Mas, enfim, o que acha de Beatles? O Chay gostou da idéia e eu acho uma boa também’
‘Certo, Beatles. Que música?’
‘Hum, pensei em Help’
‘Cool’ Arthur fez positivo ‘O problema são as outras...’
‘Acho que Saturday Night é uma boa, a gente já tocou no colégio e o pessoal gostou’
‘Ok, mas e a música nova?’ Arthur perguntou. Micael balançou a cabeça.
‘Nem idéia’
Arthur copiou o gesto de Micael e olhou pra frente, pensativo. De repente seus pensamentos foram interrompidos quando a garota apareceu no corredor. Ela estava cheia de sacolas de mercado e parecia fazer certo esforço pra agüentar todas aquelas compras enquanto ainda sustentava o peso da mochila nas costas. Arthur estava observando quando sentiu um tapa na cabeça e olhou pro lado.
‘Vai lá e ajuda ela, cara’ Micael sugeriu ‘A garota deve estar se matando pra carregar tudo aquilo’
‘O-o quê?’ Arthur perguntou meio abobado ‘Você acha mesmo? Acha que eu devo?’
‘Anda logo!’ Micael exclamou impaciente e deu um empurrãozinho nas costas do amigo.
Arthur levantou da escada meio destrambelhado e lançou um olhar descontente pra Micael antes de olhar pra frente. A garota já tinha chego na metade do corredor, mas estava parada, curvada sobre as sacolas que tinha deixado no chão. Pelo jeito ela tentava arrumar as sacolas nas mãos de um jeito que pudesse continuar a levá-las sem fazer muito esforço. Arthur foi até ela.
‘Oi, hum...’ ele começou e por um segundo perdeu as palavras quando a garota olhou pra cima e o encarou ‘Eu estava, bem... querajudacomascompras?’ perguntou emboladamente e sentiu que estava ficando vermelho. Lua riu.
‘Traduz pra mim?’ ela pediu e foi a vez de Arthur rir. Ele se sentiu um pouco mais tranqüilo pra continuar ali.
‘Desculpe, perguntei se você quer ajuda com as compras’
‘Ah, acho que não vai precisar’ ela ficou de pé e colocou as mãos na cintura, olhando pras sacolas ainda no chão.
Arthur respirou fundo, procurando manter a calma, e sentiu um perfume doce que reconheceu na hora. Era o mesmo cheiro que sentira no corredor do prédio e no bar também. Era delicioso.
‘Eu só preciso chegar até a recepção, depois eu pego o elevador e beleza’ ela concluiu. Arthur demorou um pouco pra pensar, ainda distraído com o perfume dela.
‘Bom, o elevador está em manutenção’ disse. Ele mesmo tinha subido pro apartamento e depois descido de escada já que os elevadores não estavam funcionando. Lua o encarou e ele sentiu como se estivesse sendo examinado. De repente ela franziu a testa e apontou pra ele. Arthur viu que a mão dela estava vermelha, provavelmente pelo peso das compras.
‘Espera aí, você é Arthur Aguiar, não é?’ ela perguntou intrigada.
‘Sou’ ele confirmou ‘Você foi me chamar na sala de aula semana passada, pra conversar com o diretor’
‘Nossa, é verdade! Eu bem que achei que conhecia você de algum lugar’ ela sacudiu o dedo e riu ‘E seu nome... ah claro! Eu deixei uma conta de luz no seu capacho no sábado’
‘Deixou?’ Arthur arqueou uma sobrancelha, lembrando da conta atrasada.
‘Deixei. O porteiro colocou na frente da minha porta, mas estava endereçada ao apartamento 18. Eu moro no 20’
‘Mora???’ ele arregalou os olhos e quase gritou a pergunta, tamanho seu espanto. Claro que ele sabia que eles moravam no mesmo prédio, mas ele nunca imaginara que ela poderia estar tão perto assim.
‘Moro’ ela respondeu simplesmente e olhou pras sacolas ‘Bom, já que os elevadores não estão funcionando acho que vou aceitar sua ajuda’ ela voltou a olhar pra ele ‘Se não for incomodar, claro’ completou.
‘De jeito nenhum’ ele negou com a cabeça e pegou a maior parte das sacolas.
‘Eu agüento mais do que isso, sabe?’ ela disse quando pegou as sacolas que ele tinha deixado: lá só tinham as coisas mais leves. Arthur riu.
‘E eu sei ser cavalheiro, sabe?’ e os dois riram, indo até a porta da recepção.
Antes de entrar no prédio, Arthur olhou pra escada onde estava sentado e viu Micael rindo e fazendo positivo pra ele. Arthur apenas fez um movimento com a cabeça e passou pela porta que Lua segurava aberta.
‘Muito pesado aí?’ ela perguntou quando ainda estavam no segundo lance de escadas.
‘Que nada’ Arthur mentiu, sentindo os dedos começarem a formigar e praguejando os elevadores mentalmente ‘Mora aqui faz muito tempo?’ ele perguntou, tentando esquecer dos três lances que ainda faltavam e querendo saber mais sobre a garota. Nem o nome dela ele sabia ainda!
‘Nop, faz menos que duas semanas. E você?’
‘Desde os cinco anos de idade. Sozinho, desde os dezesseis’
‘Ah, você mora sozinho?’ ela o viu afirmar com a cabeça enquanto subia o terceiro lance de escadas na frente dela ‘Bom, eu moro praticamente sozinha. Meus pais não param em casa, quando chegam já é quase madrugada e saem de manhã muito cedo’
‘E você sente falta deles?’
‘Já senti mais, agora eu meio que me acostumei. Até gosto disso, pelo menos não tem ninguém pra me encher o saco em casa’
‘Mas e nos finais de semana?’
‘Nos sábados eles trabalham também e nos domingos saem sozinhos. Eles sabem que eu sei me virar e não se importam se eu também saí ou se estou em casa limpando a cozinha’ Lua suspirou. Arthur ficou quieto, pensando se aquela era uma situação realmente agradável.
Os dois não falaram mais nada até chegarem na frente da porta do apartamento dela. Lua abriu a porta e passou com suas sacolas. Arthur ficou no corredor, esperando que ela voltasse pra pegar o que sobrou da compra, afinal não tinha sido chamado pra entrar. Depois de um tempo, ela voltou, sem a mochila do colégio nas costas, pegou o resto das sacolas e sumiu dentro do apartamento novamente. Arthur continuou parado no mesmo lugar. Lua apareceu mais uma vez e encostou-se ao batente da porta, olhando pro garoto.
‘Bom, acho... acho que eu vou pra casa’ ele disse sem saber mais o que poderia dizer ou fazer.
‘Eu te convidaria pra entrar, mas isso está uma baderna e eu não quero passar vergonha’ ela apontou pra trás, indicando o interior do apartamento.Arthur riu.
‘Sei como é, acho que faz uns seis meses que não organizo meu apartamento’
‘E de seis em seis meses é um bom período entre uma arrumação e outra?’
‘Bom, eu não aconselho. Depois de três meses você vai demorar meia hora pra achar um par de tênis. Tipo, um pé pode estar embaixo da cama e o outro foi parar em cima da geladeira sabe-se lá porque’ ele encolheu os ombros e ela gargalhou. Arthur sorriu ao vê-la rindo; era bonito.
‘Agora já sei onde procurar meus tênis quando eles sumirem’ ela disse e estendeu a mão pra ele ‘Desculpe, não me apresentei ainda. Sou Lua Luinha’
‘Encantado em conhecê-la’ ele sentiu o braço tremer de leve quando sua mão tocou a dela ‘Um nome bonito pra uma garota mais bonita ainda, bem apropriado’ disse sorrindo ao soltar da mão dela.
‘Obrigada’ Lua sorriu envergonhada.
‘Não por isso’ Arthur colocou as mãos nos bolsos, reprimindo a vontade de segurar aquela garota e abraçá-la forte. Ela tinha um sorriso lindo, era simpática, engraçada, educada e absurdamente bonita. O que mais ele poderia querer?
‘Ouvi falar que você e seus amigos têm uma banda, é verdade?’ ela perguntou.
‘Você ouviu falar de mim? No colégio?’ ele arregalou os olhos e ela franziu a testa.
‘Ouvi. Por quê?’
‘Alguém fazer um comentário sobre mim que não seja pra me humilhar ou zombar de mim é quase um milagre. A maioria das pessoas me considera um loser’ Arthur passou a mão pelos cabelos, sem graça ao admitir sua falta de popularidade pra uma garota que realmente queria impressionar. Mas uma hora ou outra ela saberia, se é que já não estava sabendo, afinal ela andava com as populares. Ao ver a garota rir, ele franziu a testa ‘Isso não é engraçado’
‘Eu sei que não, mas seus cabelos são’ Lua rira do jeito que ficaram os cabelos dele quando o garoto passou a mão por eles.
‘Está horrível demais?’ ele passou as mãos pelos cabelos de novo, tentando ajeitá-los.
‘Não, está bom. É só você parar de mexer’ ela disse e ele encolheu os ombros, voltando a colocar as mãos nos bolsos ‘E eu não acho que você seja um loser, pelo menos você não parece com um’
‘Isso é um consolo, obrigado’ ele sorriu simplesmente. Lua riu.
‘Disponha. Agora, se não se importa Aguiar, eu preciso entrar e guardar as compras antes que o iogurte estrague ou a carne descongele’
‘Você está pronta pra morar sozinha. Nem eu penso nisso às vezes’
‘Um dia você aprende’ ela disse e os dois riram ‘Olha, obrigada pela ajuda com as compras. A gente se vê por aí, dude’ Lua deu um soquinho no ombro dele antes de entrar e fechar a porta.
Arthur encarou a porta trancada e depois olhou pro ombro, no lugar onde ela tinha batido. Ele deu meia volta e parou na frente da escada.
‘Ela disse “dude”?’ Arthur perguntou pra si mesmo, em voz baixa, descendo os primeiros degraus.

‘Isso foi surreal!’ Arthur exclamou assim que sentou ao lado de Micael, que aguardava pacientemente pela volta do amigo enquanto lia seu gibi.
‘Falou com ela? Como foi? Qual o nome dela? Qual o apartamento dela?’ Micael largou o gibi de lado e disparou a perguntar.
‘Claro que falei! Tipo, ela é...’ Arthur começou a fazer gestos com as mãos, procurando as palavras certas, mas estava difícil encontrá-las.
‘Ela é...?’ Micael repetiu, vendo a demora do amigo pra falar.
‘Tudo o que eu esperava!’ ele respondeu sorrindo ‘ Cara, eu queria ter falado mais com ela, sei lá’
‘E o que mais?’
‘Ela mora no apartamento 20! Cara, no 20! Eu moro na frente dela, tem idéia disso?!’
‘E o nome?’ Micael indagou ‘Você perguntou o nome dela, certo?’
‘É Lua. Lua Luinha’ Arthur praticamente cantarolou o nome dela, enunciando-o como se fosse uma palavra mágica ‘E ela lembrou de mim! Lembrou de mim, de quando foi me chamar na sala de aula’
‘Bom, e o que mais? Vocês falaram sobre o quê?’
‘Não tivemos tempo pra conversar muito. Sei que fazem menos de duas semanas que ela se mudou e que ela mora com os pais, mas é como se morasse sozinha porque eles vivem trabalhando e não param em casa nunca’
‘E o que você acha que ela achou de você?’ Micael riu com as próprias palavras ‘Quero dizer, ela pareceu gostar de você?’
‘Bom, não sei. Ela já ouviu falar que temos uma banda... isso ajuda?’ Arthur levantou as sobrancelhas. Micael mexeu a cabeça.
‘Acho que sim. Normalmente garotas gostam de músicos’ disse e deu de ombros.
‘Hum, certo... ela também disse que eu não pareço um loser’
‘Idiota, você disse que era um loser?’ Micael perguntou e balançou a cabeça ao ver Arthur confirmar ‘Ah cara, isso não é bom. Se bem que, tecnicamente, nós não somos os maiores losers daquele colégio e... talvez seja bom ela pensar que você não tem cara de loser. Enfim, ela disse mais alguma coisa?’
‘Bem, ela achou o meu cabelo engraçado’ Arthur disse, coçando a cabeça. Micael riu.
‘Não sei se isso seria um bom sinal, talvez sim porque garotas gostam de caras engraçados. Mas não sei se elas gostam de caras com cabelos engraçados, então...’
‘Isso não está ajudando, ok?!’ Arthur disse sério e Micael ficou quieto ‘E, cara, seria o bastante pra mim se ela dissesse simplesmente três palavras. Seria... mágico’ concluiu, sonhador. Micael deu um tapa na cabeça dele.
‘Você está falando como um imbecil, cala a boca’ e riu ‘Sério, vamos ver como vai ser agora. O que ela disse quando vocês se despediram? Ela te abraçou ou algo do tipo?’
‘Ela mal me conhece, claro que ela não ia me abraçar. Mas bem que eu gostaria que isso acontecesse porque...’ ele começou a se perder em pensamentos de novo até que viu Micael fazer cara feia, então achou melhor voltar a falar sério ‘Enfim, ela me agradeceu pela ajuda com as compras, me deu um soquinho no ombro e disse “A gente se vê por aí, dude”. Foi isso’
‘Dude? Ela te deu um soquinho no ombro e disse “dude”?’ Micael riu ‘Cara, essa garota não é de verdade. Ela é cômica’
‘Ela é incrível!’ Arthur exclamou contente, então teve uma idéia repentina ‘Micael, o que você vai fazer agora?’
‘Bom, acho que voltar pra casa e morgar até de noite’ Micael pegou o gibi, o enrolou e guardou no bolso da bermuda ‘Por quê?’
‘Estou com umas idéias na cabeça e preciso que você me ajude a organizá-las melhor. Acho que isso pode ajudar na nossa música nova’
‘Que música nova? Nós bem que precisamos, mas não temos uma música nova’ Micael disse, sem entender direito o que o amigo queria dizer.
‘Nós 
ainda não temos uma música nova’ Arthur ficou em pé e lançou um olhar significativo pra Micael ‘Ainda

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
Código by: Ana Carolina - Art Design Encomendas (http://artdesignencomendas.blogspot.com/) | Layout by: Luiz Henrique (Its Rebeldes)