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14 de abril de 2012

"Forbidden"

Rebeldes


Cap. 4



‘Realmente, linda’ Micael devolveu o celular pra Arthur depois de ver a foto que ele tirara da novata.
Os dois estavam sentados na escada de tijolos. Normalmente era onde eles ficavam depois de chegar do colégio: Arthur estacionava o carro em sua vaga, eles jogavam as mochilas no pé da escada e ficavam sentados nos degraus; costumavam passar um bom tempo ali, trocando idéias.
‘Agora eu vou passar pro computador e mandar revelar em papel fotográfico depois’ Arthur deu mais uma olhada na foto antes de guardar o celular no bolso.
‘O que está pensando em fazer, meu amigo?’ Micael perguntou rindo ‘Pretende montar um mural de fotos da garota?’
‘Quem sabe’ Arthur encolheu os ombros. Micael balançou a cabeça.
‘Melhor eu calar a boca, assim evito te dar mais alguma idéia maluca’ riu.
‘Você tem idéia do quanto isso é sério, cara?’ Arthur perguntou olhando pro amigo ‘Aquela garota nem olhou pra mim, não falou comigo, mas é como se ela me tivesse na mão. Eu faria qualquer coisa que ela me pedisse algum dia’
‘O pior é que tenho’ Micael colocou a mão no ombro do amigo, em sinal de compreensão ‘Enquanto elas nem sabem que nós existimos, nós sonhamos em ouvi-las dizendo que nos querem’
‘Isso porque não fazem nem dois dias que eu a vi pela primeira vez! Se continuar assim, acho que vou pirar’ Arthur passou a mão pela testa.
‘Posso reservar uma vaga pra você no hospício, então?’ Micael perguntou olhando pra frente. Arthur deu uma olhada no amigo antes de olhar pra mesma direção que ele.
Lá vinha ela. Como no domingo, ela tinha acabado de descer a escada de ardósia e estava caminhando pelo meio do corredor. A mochila jogada nas costas, a pasta segura entre o peito e o braço, o cabelo balançando, o olhar de lado. Não tinha como reparar nos dois garotos sentados na escada e muito menos ver que um deles estava sorrindo. Mas o que importava ela reparar ou não? Nem por isso Arthur parou de sorrir, nem mesmo quando ela sumiu atrás da porta do bloco um.
‘Acho que ela vem a pé e entra pelo portão de cima’ Micael comentou apontando pros prédios em um nível acima dos outros.
Havia duas entradas pro condomínio. Uma pela rua de baixo, que era por onde Arthur entrava com o carro, já que morava em um dos prédios dali; e uma pela rua de cima, que era usada pelos moradores que moravam nos prédios elevados. Provavelmente, a garota adentrava o condomínio pela entrada de cima, por ser mais prático pra quem vinha a pé do colégio.
‘É... deve ser’ Arthur concordou levianamente.
‘Vai ser isso todo dia?’ Micael perguntou pro amigo.
‘Isso o quê?’
‘Nós dois plantados aqui, então ela aparece na curva da escada e vem caminhando no corredor enquanto você baba sem nem ser notado’ Micael disse como se narrasse uma cena muito empolgante, fazendo gestos com as mãos ‘Vai ser isso todo dia?’ repetiu a pergunta, colocando as mãos no colo de novo.
‘Não sei, mas se for eu não ligo’ Arthur encolheu os ombros, finalmente desviando o olhar da porta do bloco um ‘Acho que nunca vou enjoar de olhar pra ela’
‘Eu tinha uma prima que era meio pirada sabe? Vou ver com a minha tia se ela ainda tem o telefone do hospício’ Micael brincou rindo.
‘Aproveite e se interne lá também, porque, convenhamos, não é normal gostar da mesma garota durante anos e anos mesmo sabendo que ela nem liga pra você’ Arthur arqueou uma sobrancelha.
‘E é normal gostar de uma garota que você viu duas ou três vezes na vida?’ Micael cruzou os braços. Os dois ficaram quietos por um minuto.
‘Somos pirados, é isso’ Arthur concluiu e eles riram da própria situação.

Lua mal terminou de comer o miojo que preparou pra si mesma e ouviu o celular tocando na sala. O aparelho funcionava em qualquer parte do mundo, bem apropriado pra vida instável da garota.
To no portão do seu condomínio, na entrada de cima. Se já estiver pronta, sobe pra gente poder ir ao shopping. As garotas estão comigo no carro. Beijos
‘Há, que ótimo’ Lua ironizou pra si mesma depois de ler a mensagem enviada pela prima e saiu correndo pelo apartamento.
Tinha sido pega desprevenida. Tudo bem que combinara de ir ao shopping naquela tarde com as novas amigas e com a prima, mas pensou que fosse beeem mais tarde, e não meia hora depois de ter chegado em casa. Só tivera tempo de comer o macarrão! Ela escovou os dentes e trocou de roupa o mais rápido que pode. Trancou rapidamente o apartamento, vendo de relance o número 20 prateado brilhar na porta quando ela deu meia volta e se virou pra pegar um dos elevadores, mas pra poupar tempo, decidiu não esperar pelo elevador e acabou descendo os cinco andares de escada mesmo. Deixou a porta da recepção bater atrás de si e começou a andar rapidamente pelo corredor entre os prédios. Mal sabia ela que estava sendo, mais uma vez, observada por dois garotos que ainda estavam sentados na escada de tijolos.
Antes de virar na curva da escada de ardósia, ela deu uma olhada rápida pro fim do corredor e quase não subiu o primeiro degrau. Teve a sensação de que conhecia os rostos distantes que viu de relance, mas não se ateve muito a isso. Subiu as escadas correndo e a rampa da outra parte do condomínio também.
Perto do portão por onde saíam os carros, estava estacionado um veículo amarelo gema, engraçadamente chamativo. Lua fechou o portão do condomínio e foi até o carro, tendo certeza de que era de quem ela pensava.
‘Demorou hein’ Sophia comentou ao volante, dando partida assim que a prima entrou no carro e fechou a porta.
‘Achei que vocês viriam mais tarde’ Lua disse, vendo Ana e Mel acenarem pra ela pelo retrovisor ‘Muito discreto o seu carro, Sophia’
‘Diz se não combina com ela’ Ana brincou.
‘Assim fica mais difícil alguém bater no meu carrinho lindo’ Sophia encolheu os ombros enquanto dirigia e as outras riram.
‘Hey gente, vocês sabem se algum daqueles garotos que estavam naquela mesinha no pátio hoje, durante o intervalo, mora no meu prédio?’ Lua perguntou, lembrando dos rostos que vira antes de encontrar com as outras garotas.
‘Está falando dos manés?’ Ana indagou. Lua apenas ergueu a mão e fez positivo.
‘Bom, nós nunca saberíamos algo do tipo’ Mel colocou a cabeça entre os bancos da frente ‘Não sabemos muita coisa sobre eles, realmente. Você mesma viu, estudamos no mesmo colégio que eles e já ficamos durante alguns anos na mesma sala, mas nem o nome das criaturas nós sabemos’
‘Mas por que o interesse, hein prima?’ Sophia perguntou, virando numa curva.
‘Não é interesse’ Lua negou ‘É que, quando estava subindo pra encontrar com vocês, vi uns garotos sentados numa escada do prédio e achei que já tinha visto eles no colégio. Um deles me lembrou um pouco aquele com quem você trombou de manhã’
‘Ah, mas você viu de longe. Não deve ser ele’
‘Mudando de assunto’ Ana interrompeu ‘Você ligou pro Michael e disse que não ia poder passar a tarde com ele hoje, Sophia?’
‘Liguei’ ela respondeu indiferente ‘Ele não disse nada, só falou pra gente marcar de sair no fim de semana porque ele quer conhecer minha prima’
‘Podíamos ir naquele barzinho que tem no centro, o Gas. Sábado é um bom dia, o que acham?’ Ana sugeriu e Sophia apenas assentiu com a cabeça, prestando mais atenção no trânsito ‘Prepare-se, Lua’ continuou, olhando pra outra ‘Você vai conhecer o homem da Sophia’
‘Ou, como preferimos chamar agora, o homo da Sophia’ Mel disse, esticando o braço entre os bancos pra poder ligar o rádio do carro. Todas riram, até mesmo Sophia.

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