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31 de julho de 2012

Nunca Mais 2ª Temporada



Capitulo 3


Chegamos ao aeroporto quatro horas antes do voo. Entramos na fila para o check-in, que foi aberto mais de meia hora depois. Ao chegar nossa vez, o que não demorou muito, entregamos duas malas de 23kg. Saímos com nossa mala de mão e fomos para a área de alimentação.
            _ Tudo bem Luinha? – Arthur me perguntou. Eu estava quieta demais.
            _ Tudo. – Respondi sem convencê-lo da resposta.
            _ Hmm... – ele resmungou antes de colocar uma garfada na boca.
            Estávamos jantando. Nosso voo era às 23h. Ainda eram 20h, mas não poderíamos demorar muito. Ainda tínhamos que ir para a área de embarque, e quanto mais cedo melhor, ou seja, mais vazia!
            Parte da felicidade que eu havia sentido durante a semana se fora. Talvez seja porque eu estava voltando para o meu “cativeiro”. Será? Mas eu já estava de novo com Arthur. Estava com ele. Aquele tempo sombrio já passara. Nada de ruim poderia acontecer mais. Mentira! Esse é o problema. Mesmo o Arthur sendo meu príncipe, ele nunca poderá me proteger das coisas ruins, nunca. Ele nunca pode, e não seria aquela hora que poderia.
            _Lua! – Arthur estava estalando os dedos diante dos meus olhos – Luinha, meu amor, o que houve?
            _ Nada! – eu balancei a cabeça – só estava pensando umas coisas.
            _ Pode dividir? – ele me perguntou docemente.
            _ Depois, no avião. – Eu sorri amarelo e voltei para a minha comida.

            Após nosso leve jantar, fomos direto para a área de embarque. Passamos pelo detector de metais e depois fomos até um guichê onde mostramos nossos documentos, e por fim, chegamos até uma “sala” onde esperamos pelo embarque.
            _ Luinha – Arthur começou falar enquanto gentilmente acariciava minha cabeça, que estava deitada no ombro dele – Tá tudo bem?
            _ Você me conhece muito mesmo, né?
            _ Mais do que você imagina.
            _ Ah... É que o Brasil me lembra muita tristeza, sabe?
            _ Eu sei, meu anjo.
            _ Então, sei lá... Eu tô meio...
            _ Não precisa falar mais. Eu te entendo. E saiba que eu tô aqui, tá?! Para você e por você.
            _ Eu sei – respondi com um sorriso.
            Faltando meia hora para o voo formamos um fila, de acordo com os assentos, antes da porta de embarque. Esperamos por mais quarenta minutos, até que começamos a entrar.
Já sentados:
            _ Até que o voo não vai atrasar muito – Arthur falou pegando a coberta e o travesseiro.
            _ É – respondi sorrindo – Agora é relaxar, porque temos longas horas de voo pela frente – Eu disse abrindo o saco do cobertor e do travesseiro.

            _ Arthur? – Chamei ele depois de alguns minutos em silencio.
            _ Oi, meu amor?
            _ Eu to com medo. – Falei olhando para ele.
            _ Eu sei. – Ele me abraçou, eu deitei a cabeça no ombro dele – Não esquece que eu to aqui com você, tá?
            _ Eu nunca vou esquecer isso.
            _ Que bom! – Ele sorriu e começou a acariciar minha cabeça.

            Fechei os olhos, sentidos os dedos do Arthur passando entre os fios do meu cabelo. Nada no mundo se comprava a estar nos braços dele. Já disse, e repito.

Quando estou nos braços dele, tudo parece perfeito. O mundo é cor de rosa. É um lugar onde não existe guerra, fome, mentira, maldade. É o lugar mais bonito e puro. Exatamente como é meu amor por ele. Completamente incondicional, completamente puro. E foi por isso que eu passei tudo que passei, sozinha. Nunca poderia deixar que alguém que não valesse nada atrapalhasse a carreira dele. Sei que ele diz que trocaria o que tem com a banda por ter passado aqueles cinco anos comigo. Mas, eu não me arrependo do que fiz. Por mais que eu tenha sofrido, acho que a culpa de ter “atrapalhado” a carreira dele contando toda a verdade, me faria sofrer mais. Sim, eu sofreria mais do que eu sofri com a maldade daquele idiota. Eu sofreria porque o Arthur é tudo de mais precioso que eu tenho. E eu sei, que antes dele me conhecer, a banda era tudo de mais precioso que ele tinha. Eu nunca poderia ser egoísta e deixa-lo abrir mão de algo que significava tanto para ele.
E àquela hora, depois de cinco anos, vi que tudo que eu fiz valeu a pena. Estava com ele de novo, estava com o amor da minha vida. Estava com ele, recomeçando, refazendo a minha, a nossa vida.
Colocar tudo pra fora foi, ao contrário do que eu pensava, o melhor que eu poderia ter feito. Não só porque ele não pensa mais que eu o traí, mas para mim. Sei que contar a verdade foi um remédio para a minha alma.

            _ Eu te amo – Eu disse num sussurro, ainda de olhos fechados.
            _ Eu também te amo – Ele disse, ainda acariciando minha cabeça.

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