Capitulo 3
Chegamos
ao aeroporto quatro horas antes do voo. Entramos na fila para o check-in, que
foi aberto mais de meia hora depois. Ao chegar nossa vez, o que não demorou
muito, entregamos duas malas de 23kg. Saímos com nossa mala de mão e fomos para
a área de alimentação.
_ Tudo bem Luinha? – Arthur me
perguntou. Eu estava quieta demais.
_ Tudo. – Respondi sem convencê-lo
da resposta.
_ Hmm... – ele resmungou antes de
colocar uma garfada na boca.
Estávamos jantando. Nosso voo era às
23h. Ainda eram 20h, mas não poderíamos demorar muito. Ainda tínhamos que ir
para a área de embarque, e quanto mais cedo melhor, ou seja, mais vazia!
Parte da felicidade que eu havia
sentido durante a semana se fora. Talvez seja porque eu estava voltando para o
meu “cativeiro”. Será? Mas eu já estava de novo com Arthur. Estava com ele.
Aquele tempo sombrio já passara. Nada de ruim poderia acontecer mais. Mentira!
Esse é o problema. Mesmo o Arthur sendo meu príncipe, ele nunca poderá me
proteger das coisas ruins, nunca. Ele nunca pode, e não seria aquela hora que
poderia.
_Lua!
– Arthur estava estalando os dedos diante dos meus olhos – Luinha, meu amor, o
que houve?
_ Nada! – eu balancei a cabeça – só
estava pensando umas coisas.
_ Pode dividir? – ele me perguntou
docemente.
_ Depois, no avião. – Eu sorri
amarelo e voltei para a minha comida.
Após nosso leve jantar, fomos direto
para a área de embarque. Passamos pelo detector de metais e depois fomos até um
guichê onde mostramos nossos documentos, e por fim, chegamos até uma “sala”
onde esperamos pelo embarque.
_ Luinha – Arthur começou falar
enquanto gentilmente acariciava minha cabeça, que estava deitada no ombro dele
– Tá tudo bem?
_ Você me conhece muito mesmo, né?
_ Mais do que você imagina.
_ Ah... É que o Brasil me lembra
muita tristeza, sabe?
_ Eu sei, meu anjo.
_ Então, sei lá... Eu tô meio...
_ Não precisa falar mais. Eu te
entendo. E saiba que eu tô aqui, tá?! Para você e por você.
_ Eu sei – respondi com um sorriso.
Faltando meia hora para o voo
formamos um fila, de acordo com os assentos, antes da porta de embarque.
Esperamos por mais quarenta minutos, até que começamos a entrar.
Já
sentados:
_ Até que o voo não vai atrasar
muito – Arthur falou pegando a coberta e o travesseiro.
_ É – respondi sorrindo – Agora é
relaxar, porque temos longas horas de voo pela frente – Eu disse abrindo o saco
do cobertor e do travesseiro.
_ Arthur? – Chamei ele depois de
alguns minutos em silencio.
_ Oi, meu amor?
_ Eu to com medo. – Falei olhando
para ele.
_ Eu sei. – Ele me abraçou, eu
deitei a cabeça no ombro dele – Não esquece que eu to aqui com você, tá?
_ Eu nunca vou esquecer isso.
_ Que bom! – Ele sorriu e começou a
acariciar minha cabeça.
Fechei os olhos, sentidos os dedos
do Arthur passando entre os fios do meu cabelo. Nada no mundo se comprava a
estar nos braços dele. Já disse, e repito.
Quando
estou nos braços dele, tudo parece perfeito. O mundo é cor de rosa. É um lugar
onde não existe guerra, fome, mentira, maldade. É o lugar mais bonito e puro.
Exatamente como é meu amor por ele. Completamente incondicional, completamente
puro. E foi por isso que eu passei tudo que passei, sozinha. Nunca poderia
deixar que alguém que não valesse nada atrapalhasse a carreira dele. Sei que ele
diz que trocaria o que tem com a banda por ter passado aqueles cinco anos
comigo. Mas, eu não me arrependo do que fiz. Por mais que eu tenha sofrido,
acho que a culpa de ter “atrapalhado” a carreira dele contando toda a verdade,
me faria sofrer mais. Sim, eu sofreria mais do que eu sofri com a maldade
daquele idiota. Eu sofreria porque o Arthur é tudo de mais precioso que eu
tenho. E eu sei, que antes dele me conhecer, a banda era tudo de mais precioso
que ele tinha. Eu nunca poderia ser egoísta e deixa-lo abrir mão de algo que
significava tanto para ele.
E
àquela hora, depois de cinco anos, vi que tudo que eu fiz valeu a pena. Estava
com ele de novo, estava com o amor da minha vida. Estava com ele, recomeçando,
refazendo a minha, a nossa vida.
Colocar
tudo pra fora foi, ao contrário do que eu pensava, o melhor que eu poderia ter
feito. Não só porque ele não pensa mais que eu o traí, mas para mim. Sei que
contar a verdade foi um remédio para a minha alma.
_ Eu te amo – Eu disse num sussurro,
ainda de olhos fechados.
_ Eu também te amo – Ele disse,
ainda acariciando minha cabeça.



















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