Capítulo
01
No
dia seguinte eu acordei e tudo parecia um sonho. Eu estava nos braços de
Arthur. Um sorriso brotou no meu resto, junto com as lágrimas nos olhos. Depois
de cinco anos de sofrimento, de distancia, de medo. Finalmente, eu estava lá.
Vivendo o que eu achei que nunca mais viveria. Vivendo o meu amor. Vivendo com
o meu amor.
Arthur
ainda dormia, parecia um anjo. Fechei os olhos novamente, e fiquei apenas
sentido a respiração dele. Mais lágrimas apareceram. E meu sorriso era cada vez
maior.
Em
algum momento Arthur acordou.
_
Bom dia Luinha! – ele disse acariciando meu cabelo.
_
Bom dia! – Eu falei sorridente.
_
Está chorando? – Ele perguntou preocupado.
_
De felicidade – falei olhando para ele.
Ele
sorriu e beijou minha cabeça.
Naquele
dia eu e Arthur ficamos juntos, em casa. Por sorte, nem Sophia, nem Micael, nem
Chay apareceram.
Eu
e Arthur fomos juntos para a cozinha preparar o almoço. Eu me sentia num conto
de fadas. Eu ali, com o meu amor. Mais uma vez. E daquela vez nada, nem ninguém
seria capaz de me afastar dele.
Enquanto
cozinhávamos, nós riamos e fazíamos piadas. Lembramos dos momentos que vivemos
juntos. Ele me contou sobre tudo que aconteceu com a banda. Como conseguiram
tudo que ela era até o momento.
Após
almoçarmos, lavamos a louça juntos. Juro, até lavar louça com o Arthur é
gostoso.
Eu
sentia uma felicidade que jamais sentira. Ou talvez já, quando eu e o Arthur
estávamos juntos, da primeira vez. Naquela vez em que eu achava que ele era o
príncipe encantado que poderia me proteger de todo o mal. De qualquer mal.
_
Luinha – Arthur disse logo após terminarmos de lavar a louça – Temos que
conversar uma coisa.
_
O que? – perguntei um pouco preocupada.
_
É sobre suas coisas. Que estão no Brasil.
_
Como assim? – perguntei sem entender.
_
Você não tem que busca-las? Digo, se você for morar aqui, como antes.
_
É claro que vou morar aqui.
_
Então, o que pensa fazer?
_
A verdade é que eu não tinha pensado nisso. – Fiz uma pausa – Não tenho muita
coisa lá. É apenas um apartamento, e as minhas telas.
_
Podemos manter o apartamento ou vende-lo. – Arthur sugeriu.
_
Acho melhor vende-lo.
_
Não gostaria de mantê-lo para as férias?
_Não!
– exclamei – Lá passei os piores cinco anos da minha vida.
_
Mas talvez depois d um tempo você se mude de idéia.
_
Não vou mudar.
_
Como pode ter tanta certeza?
_
Porque eu nunca quero nada que me lembre todos os anos que passei longe de
você. – Falei chorosa.
_
Ô Luinha – ele falou dengoso. – Não fica assim. – Ele me deu um selinho. –
Agora tudo é diferente. Estamos juntos de novo.
_
Eu sei. Mas ainda tenho muito medo.
_
Medo de que?
_
De isso ser um sonho. – Fiz uma pausa – Ou, de te perder.
_
Isso não é um sonho – ele falou pegando no meu resto com as duas mãos, e
olhando no fundo dos meus olhos – Isso é realidade. Uma realidade que nunca,
nunca mais vai chegar ao fim. Não tenha medo de me perder. Eu sempre estivesse
aqui e sempre vou estar.
_
Eu te amo – falei com lágrimas nos olhos.
_
Eu também te amo muito, Luinha – ele falou e logo depois me beijou.
_
Eu não quero nada que me lembre a tristeza de não ter estado com você todo esse
tempo – falei depois do beijo.
_
Ok, minha linda. Nós vamos vender seu apartamento no Brasil. – Ele falou
carinhosamente, olhando nos meus olhos.
Arthur
e eu, que estávamos sentados na cozinha durante a conversa, fomos para o
quarto, junto com um pote de sorvete. Sentamos, abraçadinhos, na cama e ligamos
a TV. Estava passando um filme. Não sei o nome. Nunca tinha visto.
Enquanto
Arthur e eu assistíamos o filme e dividíamos o pote de sorvete, eu pensava
superficialmente sobre tudo que acontecera. Nossa volta era recente demais para
que eu me sentisse bem. Para que eu me sentisse segura.
Em
nenhum momento tinha duvidas quanto ao que eu sentia por ele, ou insegurança
quanto ao sentimentos dele por mim. Mas é que eu tinha me acostumado na
solidão. Na tristeza. E naquela hora eu me sentia leve, alegre. Era bom, mas
dava medo.
Em algum momento senti um arrepio, e
Arthur percebeu.
_ O que foi, linda?
_ Nada. – respondi sorrindo.
_ Mesmo?
_ Mesmo! – Sorri – É só que to aqui
pensando...
_ Sobre?
_ Como eu to feliz. Como eu senti
saudade de tudo isso.
_ Eu também senti muita. – Ele me
deu um selinho.
Naquela hora, passei o dedo no
sorvete e o passei no rosto de Arthur. Fiz um risco em cada bochecha e outro no
nariz. Ele riu e eu também.
_ Sacanagem! – Ele exclamou rindo.
_ Você não disse que tinha saudades
disso? – perguntei sapeca.



















posta mais !!!
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