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3 de maio de 2012

Nunca Mais (Primeiro Capitulo)


Capítulo 1 

É engraçado como as coisas acontecem na vida da gente, em um momento você é feliz, cercada de pessoas que te amam e às vezes basta um pequeno gesto ou uma palavra errada dita por alguém para acabar com tudo o que você conquistou, e o pior de tudo isso é que você é obrigado a ver seus sonhos e esperanças te abandonarem em alguns segundos, bem diante dos seus olhos.
 

Quando eu era criança, eu costumava ler contos de fadas, e me encantava com as lindas histórias de princesas indefesas, dragões e lindos príncipes em cavalos brancos com um belo sorriso e olhos amorosos, sempre que eu lia uma dessas histórias ficava me perguntando quando eu ia encontrar meu príncipe e viveria o meu conto de fadas, eu achava que quando eu o encontrasse nós nos apaixonaríamos, casaríamos e nada mais importaria, seriamos só eu e ele e o nosso felizes para sempre, não existiria a dor, o arrependimento e nenhum outro sentimento ruim, pois ele me protegeria de tudo e de todos que pudessem me fazer mal.
 
Como sempre, eu estava errada.
 
Não pense que eu não encontrei o meu príncipe ou que ele não era perfeito, porque ele era, mais até do que nas minhas histórias, mas eu estava enganada sobre uma coisa, ele não poderia me proteger de tudo ou de todos, eu descobri isso da pior forma possível e mesmo agora, cinco anos depois de tudo o que aconteceu, eu ainda posso sentir o medo, o desespero que senti deitada naquele chão sujo e escuro enquanto o sangue escorria do meu rosto e o som da minha voz chorando baixinho e chamava o nome do meu amado. –
 Arthur! Arthur! Por que você não está aqui agora quando eu mais preciso de você? Por que você não vem me salvar? 
Mas eu sabia que ele não me ouviria e continuei ali, deitada naquele chão frio, perguntando a Deus por que ele não me matava e acabava logo com aquele sofrimento, eu não tinha forças para me levantar, e quando o fiz, muito tempo depois, só quis correr para bem longe daquele lugar. Andei por aí sem rumo, sabia que muitas pessoas me olhavam se perguntando o que uma garota estava fazendo andando sozinha às três e meia da manhã, naquele estado deplorável, mas eu mal prestava atenção nas pessoas, eu tentava me concentrar no rosto de
 Arthur, naquele sorriso que eu tanto amava, nos seus cabelos quase sempre bagunçados, na voz suave ao dizer que me amava e no jeito dele me olhar, como se eu fosse a coisa mais importante do seu mundo, eu conhecia bem aquele olhar porque era como eu olhava para ele também. Meus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez ao pensar que eu nunca mais o veria olhar para mim daquele jeito e apressei o passo, tentando esquecer as horríveis lembranças daquela noite, e só o que me mantinha forte era saber que, apesar de todo aquele sofrimento, o Arthur enfim realizaria o seu sonho. 
Mal sabia eu que aquelas lembranças continuariam me perseguindo por muito tempo ainda, de dia e de noite sem descanso.

XXXXXXX

Tentei afastar essa linha de pensamentos, e me concentrar no que eu estava fazendo, tracei mais uma linha, tentando manter a minha mão firme no pincel e quando eu estava terminando o contorno, o telefone tocou, me assustando e fazendo com que eu perdesse todo um dia de trabalho, estragando o quadro com o enorme risco que tinha feito em cima do desenho devido ao susto.
- Merda. - Fui limpar a tinta que tinha caído no chão do meu pequeno estúdio, sujando todo o chão de tinta vermelha, fiquei olhando fixamente a enorme mancha no chão e lembrei que minha roupa tinha ficado exatamente dessa cor naquela noite a tanto tempo atrás, senti um arrepio e tive uma sensação ruim enquanto o telefone continuava tocando estridente na sala, exigindo a minha atenção.
 
Atendi ao telefone com certo receio, até que eu ouvi a voz do outro lado da linha.
 
- Alô?
 
-
 ? Sou eu, Sop. 
Eu fiquei tão feliz em ouvir a voz de
 Sop que nem prestei atenção à tristeza em sua voz. 
Sop era a minha melhor amiga, a pessoa que me ajudou quando eu mais precisei a única que sabia o que realmente tinha me acontecido e que me apoiou quando todos me deram as costas, ela era mais que uma amiga para mim, era como se fosse a minha irmã, fomos criadas juntas, já que nossas mães tinham sido muito amigas, até
 Sop completar sete anos de idade e o câncer levar a mãe dela embora das nossas vidas do mesmo jeito que um acidente de carro tinha tirado o meu pai de mim dois dias antes do meu nascimento. 
Minha mãe sempre me falava dele com lágrimas nos olhos, de como ele conversava com a barriga dela dizendo que me amava e que ele faria uma casa na árvore do quintal no formato de um castelo pra sua princesinha e pintaria flores, borboletas e um sol com um sorriso enorme no rosto para que eu estivesse sempre feliz.
 
Meu pai era pintor e essa paixão eu tinha herdado dele, e era uma pena que a gente tivesse sido separado de uma forma tão brusca por um motorista bêbado irresponsável.
 
- Estava com saudades de ouvir a sua voz
 Sop, quando você vem me visitar? - Sorri feito uma boba para o telefone, como se Sop pudesse ver o meu sorriso. 
- Não sei
 , eu tenho muitas coisas pra fazer aqui no momento. 
- Mas você tem que vir logo, porque o verão já vai começar e eu sei o quanto você gosta de praia e a minha mãe também. - Eu falei animada e
 Sop começou a chorar. –Sop o que foi? Eu falei alguma coisa errada? - O silêncio continuou do outro lado da linha. - Sophia, você está me assustando, fala alguma coisa, por favor. 
-
 Luinha aconteceu uma coisa horrível e... - Sop começou a soluçar alto do outro lado da linha. 
- Você brigou com o
 Micael? Vocês terminaram? 
Micael era o namorado de
 Sop e melhor amigo de Arthur, foi ele quem apresentou aArthur e aos outros meninos da banda. Eles formavam uma banda chamada McFly e já eram muito famosos em Londres, costumava ir aos ensaios e adorava ouvir as músicas que eles tocavam com tanto talento e dedicação, aquela banda era a vida de Arthur e ele sempre dizia pra ela: - Eu não sei o que fazer da minha vida se a banda não der certo, porque viver de música é tudo o que eu sei fazer, é como respirar sabe Luinha? E você é a minha inspiração e minha força pra tornar o meu sonho realidade, sem o seu apoio e não seria nada. 
Afastei esses pensamentos que só me fariam sofrer mais tarde, quando eu deitasse em minha cama vazia, e tentei me concentrar no que
 Sop falava. 
- Não
 , eu não terminei com o Micael e eu preferia que fosse isso para não ter que te dizer o que eu vou dizer agora. Luinha, a sua mãe foi baleada hoje de manhã e eu lamento ter que te dizer isso, mas a sua mãe faleceu. 
- Não, não, não pode ser
 Sop, fala para mim que é brincadeira. - Eu falei com a voz embargada. 
- Lamento
 Luinha, eu queria muito que fosse, mas não é. 
-
 Sop eu tenho que desligar agora. 
- Espera
 Luinha... - Eu coloquei o telefone no gancho, não queria ouvir mais nada, senti minhas pernas tremerem e senti um nó em minha garganta, eu não conseguia respirar. Subi as escadas correndo e arrumei minhas malas, eu tinha que ver a minha mãe pela última vez, eu tinha que voltar e encarar o meu passado, eu não podia mais fugir. 

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