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3 de abril de 2012

"Nossa História" PENULTIMO CAPÍTULO


Capítulo 9
Uma Chance. Uma Carta. Um Avião.



Acordei cedo – na verdade consegui dormir umas duas horas de sono. Arrumei-me para o trabalho e ao abrir a porta havia uma carta. LUA dizia que iria viajar de noite, que se eu não quisesse que ela fosse era só ir de tarde me encontrar com ela no parque do nosso primeiro encontro. Nós poderíamos conversar e talvez ela pudesse ficar aqui comigo. Caso eu não fosse, seria minha resposta definitiva, e nós nunca mais nos veríamos.
O que mais me dava raiva era ver a sua insistência em algo que para mim não parecia ter futuro. Era seu amor por mim mesmo eu tendo a tratado mal no dia anterior. Era ter certeza que naquele momento, o que eu mais odiava era a mim mesmo.
Sentei no sofá e não consegui sair daquela posição durante horas. Lia e relia aquele pequeno bilhete. Relembrava de nossos momentos juntos, a maioria bons, e não entendia como havíamos chegado naquele ponto. Talvez a rotina, talvez o cansaço, eu não sabia como tinha acontecido, o que tinha acontecido, só sabia que o que mais eu temia havia acontecido: Em nossas mentes provavelmente não ficariam os bons momentos, mas sim a amargura de um relacionamento terminado da pior e mais covarde forma possível. O término de um relacionamento que a partir daquele momento, eu podia entender que não tinha me esforçado para fazer dar certo. Tinha me acomodado, não me importando mais com datas, elogios, presentes... Tinha deixado o trabalho e afazeres me consumirem, e o pior, tinha me permitido ficar com raiva dela se vinha me fazer carinho enquanto estava ocupado. Me sentia com o espaço invadido, incomodado. Que homem não daria a vida para ter alguém que lhe fizesse carinho sem que precisasse pedir? Eu era o único estúpido dali. Não me interessando mais por ela, deixei de me interessar por sua vida, e, em poucos meses, já éramos estranhos um ao outro, sem saber de nada do cotidiano, sem assunto para conversar. Ela tentava, e eu ligava a tevê. Ela me abraçava, eu ia dormir.
Tirei a camisa e deitei na cama. Fiquei olhando para o teto, enquanto relembrava de tudo e lágrimas insistiam em cair por minha face. O telefone tocou diversas vezes, e atendi o mais rápido possível todas as vezes, acreditando que era ela, mas eram só pessoas perguntando porquê eu havia faltado o trabalho.
Não percebi o tempo passar, mas acabei dormindo. Acordei suado, o ar-condicionado estava desligado. Levantei-me e vi que já estava de noite. Olhei para a cama e o bilhete ainda estava lá. O parque! Eu não havia ido! Eu nunca mais a veria. Aquela sensação era pra ser de conforto, paz, calma, era tudo o que eu esperava. Que chegasse ao fim. Mas foi exatamente ao contrário. Eu me sentia inquieto, não sabia o que fazer, não conseguia parar de pensar no que faria sem ela. Nada mais parecia ter muito sentido. Para quê trabalhar tanto se eu não teria a quem presentear? Para quê tantos móveis se eu não usava quase nenhum? Só o sofá, a cama e a tevê. Comecei a andar de um lado para o outro da casa, sem saber o que fazer. Talvez desse tempo de encontrá-la no aeroporto! Sim! Talvez!
Coloquei uma camisa e fechei seus botões enquanto corria para o metrô. O meio de transporte tido como mais rápido, para mim, naquele momento, parecia uma tartaruga, parecia que se eu fosse correndo chegaria mais rápido. Enfim, chegamos na estação e fui correndo até o aeroporto. Procurei nas cadeiras, e enquanto corria pude avistar um casaco vermelho quase entrando na sala de embarque. Tinha que alcançá-la antes disso. Corri rápido e gritei seu nome várias vezes, mas de nada adiantou. Ela entrou. Caí ajoelhado ao chão, sem saber o que fazer.
- ARTHUR, você está bem? – Perguntou uma voz conhecida.
- Cristopher? – Perguntei o olhando.
- Eu. – Disse rindo.
- O que você tá fazendo aqui?
- Vou viajar a negócios...
- Você está indo para aquela sala de embarque? – Perguntei levantando-me.
- Sim, estou. Por que?
- Por favor! Entregue uma carta para uma mulher de casaco vermelho lá dentro!
- Seria sua namorada?
- Sim! Por favor! – supliquei.
- Calma garoto... claro que entrego. – Falou rindo.
- Serei rápido!
- Seja mesmo, já estou atrasado, vamos ficar perto da porta, não posso perder esse vôo.
Comecei a escrever a carta. Os avisos de que eram as últimas chamadas para o vôo não paravam de vir, até que Cristopher bateu em meu ombro de disse que precisava entrar. Tentei em vão terminar logo a carta, mas ele já estava dentro da sala de embarque. Tudo estava perdido. Tudo.

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