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17 de abril de 2012

"Forbidden"

Cap. 8
                                     

(NA.: seria legal deixar carregando I Wanna Hold You)

‘Shiu, olha lá!’
‘Acho que vai começar’
‘Que nada, ainda falta muito’
As pessoas mais próximas de Lua não paravam de conversar e se empurrar dentro do Gas naquele sábado. E o movimento de jovens parecia bem maior já que, ao invés dos DJ's costumeiros e suas pick-ups, quem ocuparia o palquinho naquela noite seriam os garotos de uma banda adolescente. Os cartazes afixados nos postes das ruas e a faixa na fachada do Gas diziam apenas o nome da banda: McFly, mas isso era mais do que suficiente pra que as pessoas espalhassem o boato de que a banda dos garotos que estudavam em um dos colégios da cidade se apresentaria naquele barzinho. A própria Lua ficou sabendo que a banda era composta pelo tal Arthur Aguiar e os amigos dele.
Quando finalmente conseguiu arranjar uma mesinha perto do palco, Lua sentou com as amigas e com a prima – Michael não pudera ir junto – e ficou esperando até o show começar. As pessoas continuavam conversando e ela só ouvia partes das conversar porque eram tantas vozes juntas que estava difícil até mesmo distinguir as palavras. Ela olhou no relógio e viu que ainda faltava meia hora pro show, então resolveu ir pegar alguma coisa pra beber. Assim que pediu sua usual batida no balcão do bar, Lua sentiu alguém segurar seu braço e virou pra trás.
‘Eu sabia que te conhecia de algum lugar’ um garoto forte e de cabelos loiros sorriu pra Lua ‘Acho que já deve ter me visto também ou ouvido falar de mim. Sou Duncan, amigo do Francis’ disse e estendeu a mão.
‘Claro que ouvi falar de você!’ Lua sorriu e apertou a mão dele ‘Legal te conhecer. Sou...’
‘Lua Luinha, eu sei. Francis sempre fala de você pra mim’ ele colocou as mãos nos bolsos, meio sem jeito diante daquela garota que tanto lhe chamava a atenção no colégio.
‘Espero que fale bem’ ela disse e ele riu.
‘Sem dúvidas’ Duncan deu uma piscadinha pra ela e sorriu.
‘Hey Duncan!’ uma garota loira apareceu ao lado dele e segurou em seu braço ‘Estava te procurando até agora, achei que tinha sido engolido por esse povo todo’
‘Eu sei me cuidar, ok?!’ ele olhou sério pra garota e depois pra Lua ‘Lua, essa é Susan, uma amiga minha. Ela estuda lá no colégio também’
Lua teve a impressão de que Susan fez uma pequena careta quando ouviu a palavra “amiga”, mas devia ser só impressão mesmo. Susan sorriu exagerada e falsamente – dessa vez não foi só impressão – quando apertou a mão de Lua.
‘Você é a garota nova no colégio, não é?’ Susan perguntou encarando Lua como se a avaliasse.
‘Yep. Bem, mas não sou tão nova assim... já faz duas semanas que estudo lá, acho que um bocado de gente já me conhece’ Lua respondeu da forma mais educada possível. Não estava gostando daquele olhar de Susan. Duncan riu.
‘Um bocado de gente? Você anda com garotas bem populares, praticamente o colégio inteiro te conhece ou pelo menos sabe seu nome’ ele disse.
‘Ah, eu não sou tão popular assim, até porque não gosto muito disso’ Lua deu de ombros ‘Não faz meu tipo’
Susan arqueou uma sobrancelha e Duncan abriu a boca pra falar algo em sua defesa, já que era um dos populares também, mas não teve tempo.
‘Duncan, estou com sede. Vamos pegar alguma coisa pra beber’ Susan disse e fez Duncan virar pro balcão do bar.
Lua balançou a cabeça e ficou olhando pro palco, segurando sua batida intacta. De repente, algumas pessoas começaram a se agitar e então quatro garotos subiram no palco. O olhar de um deles se cruzou com o de Lua e ele sorriu. Lua o cumprimentou do mesmo jeito que sempre fazia quando encontrava com ele no condomínio – sim, porque agora ela sempre reparava que ele e um amigo estavam sentados na escada no final do corredor – ou no colégio: ela ergueu as sobrancelhas e sorriu brevemente. Arthur Aguiar se virou pra conversar com os amigos e então Lua deu um gole na sua batida. Duncan parou ao seu lado, com um copo de vodka na mão.
‘Animada pro show?’ ele perguntou.
‘Ah sim, claro. Me disseram que eles são bons’ ela respondeu.
‘Eles são mesmo. Já tocaram algumas vezes numas festas do colégio e foi legal’ Duncan comentou. Susan apareceu do nada e parou do outro lado de Lua.
‘O quê? Batida?’ ela perguntou olhando incrédula pra garrafa que Lua segurava. Lua olhou pro copo de tequila que Susan estava segurando e depois pra cara dela.
‘Isso mesmo’ disse simplesmente ‘Algum problema?’
‘Você devia beber alguma coisa mais forte. Vamos, troque comigo’ Susan estendeu seu copo.
‘Deixa ela beber o que quiser, Susan’ Duncan repreendeu a garota.
‘Não, tudo bem Duncan’ Lua disse, pegando a tequila de Susan e entregando pra ela sua batida ‘Acho que um pouco mais de álcool não vai me matar’
‘É assim que se fala’ Susan deu mais um sorriso falso e olhou pro palco ‘Acho que vai começar’
Realmente, o show ia começar. Um dos garotos chegou ao microfone que estava mais na frente e sorriu pro público, que estava de pé aguardando ansiosamente pela hora em que eles iam começar a tocar.
‘Ela está te incomodando?’ Duncan perguntou, se referindo a Susan e falando perto do ouvido de Lua, pra poder ser ouvido no meio daquela agitação toda.
‘Ah não, claro que não. Está tudo bem’ Lua se virou pra Duncan e se deparou com aqueles olhos verdes mais próximos do que ela imaginara. Ela corou e sorriu antes de dar um gole na tequila. A bebida desceu rasgando pela garganta de Lua e ela voltou a olhar pro palco, evitando que Duncan visse que seus olhos estavam lacrimejando. O garoto voltou a falar com ela, mas ela não prestou atenção. Seu estômago estava queimando.

Arthur estava em cima do palco e conseguiu visualizar Lua pela segunda vez. Ele estreitou os olhos quando viu um garoto falando alguma coisa no ouvido dela. Era um garoto popular do colégio, ele sabia, mas não conseguiu lembrar o nome dele, só conseguia pensar que queria ver aquele cara o mais longe possível de Lua. A raiva foi tanta que ele enroscou os pés nos fios sobre o palco. Tom olhou feio pra ele antes de falar ao microfone.
‘Boa noite pessoal’ ele cumprimentou e algumas pessoas gritaram ‘Bom, somos o McFly e vamos divertir vocês um pouquinho essa noite. Pra começar...’
Ele mesmo fez a contagem e as primeiras notas de Help animaram o público.
Arthur conseguiu se livrar dos fios e olhou de novo pra Lua. Viu que ela estava rindo de alguma coisa. Por muito pouco ele não errou um trecho da música.

‘Beatles é ótimo, mas eles podiam ter tocado alguma coisa mais nova ou uma música deles, não acha?’ Duncan perguntou.
‘Não!’ Lua riu ‘Eu amo Beatles!’ disse e deu um último gole na sua tequila. Susan apareceu com um outro copo no mesmo instante.
‘Vodka pra você, sugar’ Susan disse e tirou o copo vazio da mão de Lua e lhe entregou o outro ‘Vi que sua bebida estava acabando e resolvi trazer mais uma’
‘Ahn, obrigada... eu acho’ Lua franziu a testa olhando pro copo quase cheio de vodka.
‘Não é porque você gosta de se embebedar, Susan, que tem que obrigar os outros a se embebedarem também’ Duncan repreendeu a garota pela segunda vez, falando mais alto.
‘Não tem problema Duncan, eu não sou criança’ Lua tranqüilizou o garoto e voltou a olhar pro palco. Help já tinha terminado e ela nem percebera.

‘Bom’ Danny falava no microfone ‘agora uma música nossa. Essa se chama I Wanna Hold You’ disse e uma música começou a ser tocada.
‘Tell me that you want me baby
(Me diga que você me quer baby)
Tell me that it's true
(Me diga que é verdade)
Say the magic words and I'll change the world for you
(Diga as palavras mágicas e eu destruirei o mundo para você)
Not before the broken hearted 
(Um exército de corações partidos)
Marching through the streets
(Marchando pelas ruas)
Every cities burning to the ground under your feet
(E toda a cidade esta queimando debaixo de seus pés)
I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu esta ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
(And I) do anything you ask
(E eu – faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)
Melt the polar ice caps baby
(Eu derreteria as calotas polares baby)
Watch them flood the earth
(Assistiria elas inundarem a Terra)
I'd do anything to show you what your love is worth
(E eu faria qualquer coisa para mostrar que seu amor tem valor)
Won't you show me your devotion? 
(Você não me mostrará sua devoção?)
Heal my aching heart
(Cure meu coração dolorido)
It's like a neutron bomb explosion tearing me apart
(É como uma explosão de bomba atômica acabando comigo)’

Arthur viu Lua dançando ao lado daquele mesmo garoto. Às vezes ela dava um gole na bebida que estava segurando e sorria ou então trocava algumas palavras com o tal garoto. Aquilo estava incomodando Arthur e ele sentiu um conhecido formigamento nos punhos.
‘I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu esta ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
(And I) do anything you ask
(E eu – faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)
Attention please,
(Atenção, por favor)
we interrupt this program,
(interrompemos esse programa)
with some disturbing news,
(com alguma noticias perturbantes)
world wide evacuation,
(uma evacuação mundial)
we're going to lose,
(nós vamos perder)
we've pulverised the nation,
(eles vão pulverizar a nação)
I guess it shows that's just the love you do
(Eu acho que isso mostra o que o amor pode fazer)
I wanna hold you 
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu esta ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
Do anything you ask
(Faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad, bad, bad
(Eu quero muito, muito, muito te abraçar)
Do anything you ask
(Faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)’

As pessoas gritaram quando a música terminou. Lua deu um berro e Duncan assoviou. Ela riu e terminou de beber a vodka. Mal tinha tomado o último gole, Susan apareceu com outro copo e, antes mesmo que a garota falasse alguma coisa, Lua pegou a bebida e virou metade de uma vez. Susan riu, mas Duncan franziu a testa.
‘Melhor ir com calma’ ele alertou.
‘Já me acostumei, gatinho’ Lua piscou pra ele e começou a dançar a próxima e última música que o McFly tocava. Duncan balançou a cabeça e começou a dançar junto a ela.
Lua estava esvaziando seus copos cada vez mais rápido e assim que terminava uma dose, Susan aparecia com outra e lhe entregava. Duncan nem dizia mais nada, às vezes olhava feio pra Susan, mas ela não se importava e ia pra perto do balcão do bar de novo. Em seqüência, as bebidas vinham e a variedade era grande, das mais leves às mais pesadas: tequila, cerveja, uísque, Smirnoff, Martini, vodka, Marguerita... Lua não sabia mais que música estava sendo tocada e nem o que estava bebendo, só engolia o que lhe traziam e continuava dançando.

‘Acho melhor eu ir procurar a Lua’ Sophia gritou pra Ana, que aplaudia de pé assim que o show terminou. Os garotos no palco estavam agradecendo.
‘É, faz tempo que ela sumiu’ Mel concordou com a cabeça ‘A gente fica aqui te esperando’
‘Volto logo... acho’ Sophia disse e saiu andando por entre as pessoas que agora dançavam uma música qualquer que tinha sido colocada pra tocar.

‘Cara, isso foi muuuito bom!’ Lua exclamou largando uma garrafa de Smirnoff, vazia, no balcão do bar. Do nada, ela começou a rir.
‘Acho que você bebeu demais’ Duncan olhou pra ela atentamente, então levantou a cabeça e começou a procurar alguém ali por perto ‘Eu vou matar a Susan’
‘Tá de boas, Duncan’ Lua abanou a mão e olhou pro palco. Viu Arthur descer por último e ir pro meio do público ‘Olha, eu vou ali na pista e já volto ok?!’
‘Não quer que eu vá contigo?’ Duncan perguntou preocupado ‘Você não parece bem’
‘Estou ótima’ ela fez positivo e balançou a cabeça. Sentiu-se meio tonta, mas andou o mais firme que pôde até a pista. Estava olhando ao redor quando sentiu um toque no ombro. Virou-se pra ver quem era.
‘Hey, beleza?’ Arthur perguntou sorridente ‘Te vi lá perto do bar, não sabia que você vinha aqui hoje’
‘Ah, eu vim com minhas amigas... não podia perder o show, não é?!’ ela disse e ele riu.
‘O que achou?’
‘Foi muito bom! Aquela segunda música foi ótima, mesmo!’ Lua exclamou animada até demais ‘E Beatles, cara. Eu amo Beatles!’
‘Sério?’ ele sorriu ao ver a garota confirmar com a cabeça. De repente, Lua deu dois passos pra um lado e segurou num braço do garoto. Arthur segurou no cotovelo dela e se preocupou quando a viu apertar os olhos ‘Tá tudo bem? Quer sentar?’
‘Não, tá beleza’ ela abriu os olhos e balançou a cabeça. Sentiu-se tonta de novo e suas mãos estavam começando a esfriar conforme ela sentia a vontade de vomitar chegando.
‘Lua! Hey, Lua!’ alguém quase gritou.
Lua olhou pra trás e viu a prima meio longe, se aproximando com dificuldade entre as pessoas. Ela piscou algumas vezes e olhou pra Arthur de novo. Era visível a preocupação dele, ela tentou sorrir pra acalmá-lo, mas não conseguiu. Estava nauseada e não conseguia pensar direito, a tontura estava cada vez mais forte e suas pernas não estavam mais tão firmes.
‘Lua?’ Arthur chamou. A voz dele parecia vir de longe.
Ela piscou mais vezes e viu o rosto dele entrar e sair de foco. Do nada, Lua sentiu uma vertigem muito forte e apertou a camisa de Arthur com toda a força que tinha. Começou a ver as coisas girarem e escurecerem ao seu redor, então fechou os olhos numa tentativa de diminuir a tontura. Inesperadamente, ela desabou. 

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