Capítulo 8
Mais Uma Mudança Gerando Outra Mudança Ainda Maior.
Mais Uma Mudança Gerando Outra Mudança Ainda Maior.
Estava vendo tevê enquanto ela escovava os dentes. Tínhamos combinado de ir no cinema, mas como estava chovendo, decidimos ficar abraçados no sofá mesmo.
- Amor... preciso te contar uma novidade! – Disse sorrindo.
- Diga! – falei enquanto olhava para a tevê.
- Hey... olha pra mim!
- Estou olhando... – Disse virando meu rosto para ela.
- Fui promovida! – Disse sorrindo.
- Que bom! – Falei me levantando e indo a beijar.
- Só tem uma coisa, mas não vai ser problema, na verdade, vai ser solução! – Disse se complicando nas palavras.
- Fala logo! – Disse rindo.
- Então, o emprego é em outra cidade. Fica cerca de três... mil quilômetros daqui...
- TRÊS MIL QUILÔMETROS? – Perguntei a soltando.
- Mas, ARTHUR! Eu sem querer vi uma proposta de emprego naquela firma que você queria a séculos! E é na mesma cidade! Tanto que mais por isso eu me esforcei nos projetos e consegui a promoção! Não sabia bem quando você pretendia me contar que iria...
- Eu não vou.
- Mas...
- Eu não vou. Quem mandou você olhar minhas coisas?
- Eu estava arrumando a casa...
- Você bisbilhota minhas coisas, se irrita fácil, quebra minha campainha, me agonia o cérebro tocando quinhentas vezes e eu to tentando a meses fazer nossa relação dar certo! Parece que só você aqui não percebe que tem algo de errado!
- Você está tentando? – Disse com os olhos cheios de lágrimas. – Você está deixando acontecer! É como se você só estivesse esperando o momento de eu cansar de seu desleixo e terminar com você! É como se você não quisesse se sentir o culpado por terminar! – Disse enquanto tentava parar de chorar. – Eu percebo ARTHUR, eu percebo que você não me olha como me olhava antes, não me elogia nem mima mais, que você não conta mais nada de sua vida para mim, só o básico, e quando eu pergunto! Eu percebo tudo! Eu só não sou forte o suficiente para acreditar que isso é verdade!
- Talvez se você tentasse mudar! Mas não, SEMPRE a culpa é minha! Sabe, às vezes eu te olhava dormindo e achava que você seria a mãe de meus filhos, mas ultimamente, eu te olho dormindo e me pergunto: Como foi mesmo que começamos a namorar? Por que começamos? Eu não me lembro mais o porquê.
- Sabe que dia é hoje? – Falou entro soluços de choro. – Nós fazemos três anos de namoro hoje. E tudo o que você me diz é que não sabe porque estamos namorando a tanto tempo. Eu... eu sou uma estúpida! Eu sei! Qualquer mulher agora lhe daria um tapa na cara e nunca mais iria querer lhe ver! Mas eu não consigo, eu não consigo dizer que acabou! – Falou se encostando na parede e cobrindo o rosto, já vermelho de tanto chorar, com as mãos.
- Desculpe, não sabia que era hoje.
- ...
- Eu não quero ir para essa cidade. Eu gosto da minha vida aqui.
- Mas poderíamos ser felizes lá também! – Disse ainda tentando conter o choro.
- Eu não sou mais feliz com você aqui! Quanto mais lá! Eu não vou aceitar essa promoção por sua causa!
- Você quer se livrar de mim... – Disse olhando para o chão. Em seguida caminhou até o quarto e encostou a porta.
Sentei em frente a tevê. Enquanto as imagens passavam em minha frente a raiva só tomava conta de mim. Estava cansado daquela situação mas também não conseguia terminar. Eu não sentia mais a mesma coisa por ela, e o que era pior, eu não sabia como recuperar. Ela passou silenciosa carregando duas malas. Abriu a porta, me olhou, um olhar que parecia ser o último, e então fechou a porta. Eu não sabia se corria atrás dela, se ficava ali, talvez eu estivesse tão perdido quanto ela naquele momento. Aumentei o volume da tevê e fiquei vendo as imagens passarem, enquanto tentava esquecer de tudo aquilo. Enquanto tentava não me arrepender, já me arrependendo de ter sido tão cruel com ela.



















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