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27 de março de 2012

"Nossa História" Capítulos 5 ao 7

Capítulo 5
Galã na Festa de Gala.



Fim de ano, saldo positivo na empresa, chefes e funcionários orgulhosos. Uma festa na empresa. Funcionários e elite juntos. Adorava tais eventos, não só pelos comes e bebes, mas por ser a ocasião perfeita para observar o comportamento das pessoas – um de meus melhores e principais hobbies. Sorrisos falsos, fofocas, gente boçal e estúpida achando que está abalando, dinheiro sendo gasto na mesa de pôquer, belas criaturas em busca de um milionário – independente da idade -, novos ricos, pessoas inteligentes que fecham um círculo para debaterem entre si, e pessoas inteligentes que conversam com todos, como eu.
Era sábado à tarde, LUA estava no salão, se arrumando para acompanhar-me na festa. Eu, por vez, centrava-me em passar meu paletó. Passava desenho animado na tevê, eu realmente queria perder meu tempo assistindo, mas o dever – ou se preferir, festa – me chamava.
Poderia eu descrever toda a minha monótona tarde de preparo para uma festa de gala, mas prefiro poupar-me de tal martírio, pulando, assim, direto para a festa.
As luzes não só iluminavam, como também decoravam o ambiente. Tudo parecia perfeito visto de fora, mal poderia esperar para ver por dentro.
Entramos no salão e alguns poucos convidados já haviam chegado. Apresentei Lua ao Sr. Clóvis e a alguns poucos colegas, tudo para fazer a social, alguns poucos porque eu realmente gostava de manter algum tipo de diálogo com eles. Finalmente sentamos à mesa.
- As pessoas aqui parecem ser mais socializáveis do que você descreveu. – Comentou LUA.
- Acho que no fim das contas o anti-social sou eu. – Falei a olhando.
- Acho que sim. Quer dizer, não acho, tenho certeza. – Disse rindo.
- Você está linda.
- Você também, e bastante elegante. – Falou sorrindo.
- Quer dançar? – Perguntei sorrindo com o canto da boca.
- Mas... Ninguém está dançando! Iríamos chamar muita atenção!
- Atenção já estamos chamando. Afinal, exalamos beleza. – Falei num tom convencido.
- Boral. – Disse rindo. Então me levantei e busquei sua mão.
Assim que começamos a dançar as pessoas nos olharam curiosas, porém, vendo que não passávamos de um casal feliz dançando, juntaram-se a nós. A melodia enchia-nos de uma alegria incalculável. Estávamos extasiados. Olhei para Lua e ela me olhava nos olhos, sorrindo. Juntei minha testa com a sua, ficamos assim por um bom tempo. Juntos, sentindo a respiração um do outro.
- Obrigado por vir. – Falei e em seguida nos beijamos. Lembro-me apenas que depois fomos nos sentar. Maldita hora que fomos nos sentar.
- ARTHUR meu amor! – Gritou Angelina, secretária de outro departamento. Já havíamos ficada durante um happy hour.
- Oi! – Falei fazendo a social. – Tudo bem? – Perguntei levantando-me e dando dois beijinhos em suas bochechas.
- Tudo ótimo querido! Você nunca mais me procurou... Sinto falta de sua...
- Esta é minha namorada, LUA. – Falei com os olhos arregalados, desejando pôr um fim na conversa. O tiro saiu pela culatra.
- NA-MO-RA-DA? – Perguntou incrédula.
- Sim. – Falei preocupado com todo aquele espanto.
- Por que? – Perguntou LUA com um tom enciumado.
- ARTHUR, de namorada? – Disse rindo – Soa como piada! E aquele papo de que não queria nada sério, apenas casual? – Falou ainda rindo. Meu estômago embrulhou e senti uma das mãos da LUA esmagarem meu fígado e a outra arrancar minhas costelas e fazer uso delas para esquartejar meu coração. Enquanto, claro, podia-se ver uma larva fervente de satisfação no olhar de Angelina, que de anja não tinha nada, nem ao menos a cara. Já aLUA, bem, não conseguia adivinhar o que se passava em sua mente. Sua expressão não mudara, e isso era o que me dava mais medo.
- Eu mudei – Foi tudo o que consegui dizer.
- Por que você não usa seus sapatos finos e faz um bom uso deles para levar sua língua até alguém que esteja interessado? Ah! Não se decepcione se acabar saindo da festa mais cedo, é que o público não parece se contentar com pouco. – Disse LUA e logo depois bebeu um gole de champagne, ainda com a mesma expressão.
- Você está bem? – Perguntei com medo, enquanto Angelina saia rápido dali por não conseguir retrucar ao mesmo nível.
- Por que não estaria? – Disse e enfim sorriu – Se você não tivesse mudado, não estaríamos namorando, correto?
- Corretíssima! – Falei sorrindo – Você me dá medo... hehe.
- ARTHUR? – E eu pude sentir-me deitado numa pista gelada de concreto com um caminhão passando por cima de mim e esmagando todos os meus ossos em tamanhos incontáveis. Mais cinco mulheres estavam diante de nossa mesa. Sim, eu já ficara com as cinco, e para todas, assim que me procuraram novamente, falei que não passara de uma saída casual.
- Vamos sair daqui! – Falei num ímpeto, sabendo que mais um segundo com elas e eu estava perdido.
- Mais saídas casuais? – Perguntou friamente.
- Sim... – Falei abaixando a face.
- Vamos. – Falou levantando-se – Quer dizer, eu vou.
- Vamos. – Disse e saí a seguindo. Como não pensei que mulheres vingativas apresentam índice de alta periculosidade? Não deveríamos estar lá, não com tanta gente imunda e mal amada. LUA caminhava na frente, então parou um táxi e entrou, entrei em seguida, segurando a porta quase fechada por ela. Não demorou muito para que ela dissesse o endereço para o taxista, mandasse ele me deixar e num salto saiu do veículo, deixando-me com cara de tacho lá dentro. Mandei o taxista ir devagar, acompanhando seus passos irritados e apressados pela calçada.
- Aonde você pretende chegar? – Falei da janela do táxi. Ela não olhou, muito menos respondeu. – Você sabe que horas são? Vai demorar a passar outro táxi!
- Eu sei onde fica a parada de ônibus, agradecida pela preocupação. – Falou irônica e continuou. Um passo falso. Um pé virando. Um grito de raiva e dor para o céu nublado e ela resolveu tirar o salto alto, prevenindo, assim, uma torcida de tornozelo.
- Seu pé está bem?
- ...
- Deixe de ser teimosa! Eu não tenho culpa!
- ...
Estávamos em frente da parada de ônibus. Em frente da desértica parada de ônibus. Pedi para o taxista parar e fiquei com a janela aberta, a vendo em pé com os braços cruzados, tentando não tremer de frio.
- Vamos lá! Deixe de birra!
- Pode ir, eu vou sozinha.
- Moramos no mesmo prédio, no mesmo andar, venha logo! Se não eu mesmo irei lhe colocar aqui dentro!
- Eu lhe denuncio por seqüestro!
- Você não...
- Você duvida? – Com o olhar que lançou-me era impossível duvidar. Acabei ficando dentro do veículo e observando meu dinheiro ir embora no taxímetro. Uma péssima terapia ver aquilo aumentar de número, ainda mais empolgante depois que começou a chover forte. Chuva, números, sentindo minha carteira esvaziar. Faltava algo... Sim! Faltava!
- Entre agora aqui! – Gritei percebendo – lembrando – que ela estava na chuva. O pequeno teto da parada não protegia de muita coisa, principalmente diante de uma chuva de vento.
- Já falei que não vou! – Gritou apertando forte os braços, ainda cruzados.
- Pode ir colega. – Falei para o taxista. Abri minha carteira e o paguei, saindo do táxi em seguida.
- Senhor! – Chamou-me o taxista – Sinto que o mínimo que posso fazer é avisar que os ônibus só passam até a meia noite por aqui. Como a vizinhança é rica, não quer tal meio de transporte incomodando sua madrugada.
- ... erm... obrigado. – Falei vendo minha salvação – lê-se: o táxi – sumindo de minha visão. – VOCÊ OUVIU, NÉ? – Falei a olhando sério. Pela primeira vez seu olhar parecia um tanto quanto arrependido. Com medo.
- Sim. – Disse parecendo pensar.
- Estamos largados no meio da chuva, e é tudo culpa sua... – Falei colocando meu paletó sobre seus ombros.
- Culpa sua que deixou o táxi ir embora!
- E quem foi que me obrigou a fazer isso?
- Eu não sabia que não tinha ônibus... – Falou olhando-me de lado. – Desculpa...
- Pelo menos terei uma boa desculpa para faltar no trabalho.
- Olha, acho que não vai demorar para a chuva passar... – Falou tentando animar-me. Pelo menos seu peso na consciência parecia estar dando sinais de vida.
- Seu cabelo está horrível. – Falei a olhando e soltando uma pequena risada.
- Ai! É culpa do laquê que sai com água! – Falou colocando as mãos nos cabelos, tentando ajeitar. – Devo estar horrível!
- Está engraçada...
- Me ajuda a tirar essas atacas!
- Tudo bem, tudo bem... – Falei e então nós dois começamos a ajeitar seu cabelo, ou pelo menos tentar.
A chuva começava a passar, porém, o vento ainda batia forte contra nós. Estávamos encharcados, o teto da parada realmente não servira para nada. Bem, para quase nada. A chuva e ventos fortes fizeram-nos ficar abraçados, tremendo juntos de frio, naquela madrugada mórbida, onde todos os táxis que passavam estavam cheios.
Assim que a chuva passou, chamei a criatura e comecei a andar, aproximadamente dois a três minutos depois, percebi que ela estava à alguns metros atrás de mim e pude, assim, notar que andava mancando, provavelmente a virada que seu pé dera lhe afetara.
- Venha.
- O que você está fazendo? – Perguntou ao ver-me agachado no chão com os braços esticados para trás.
- Seu pé está machucado, vou te levar nas costas.
- Claro que não! Não precisa!
- Vai teimar de novo? – Falei com um tom de voz cansado – Lembre-se que estamos aqui por sua causa...
- Mas...
- Anda e sobe logo! – Ordenei.
- Ain... Não precisa ser malvado.
A carreguei até chegarmos ao metrô, sentamos e depois a carreguei do metrô para casa. Passei todo o tempo fazendo cara de quem estava carregando uma pena, mas a verdade é que eu queria jogá-la no chão e mandar que ela me carregasse dali em diante. Ossos, cartilagem, músculo e o resto todo pesa muito! Chegamos ao elevador e ela não parava de me olhar, estava começando a ficar incomodado.
- Que foi? – Perguntei por fim.
- Nada.
- Então para de me olhar.
- Paro não! – Falou mostrando a língua.
- Se você colocar essa língua para fora mais uma vez, eu pego! – Falei ameaçando-a.
- Pega? DU-VI-DO. – Falou me provocando, e em seguida colocou novamente a língua para fora. Não preciso dizer que fui de imediato e puxei sua língua com minha boca, iniciando um beijo, um ótimo beijo.
Comecei a passar as mãos por suas costas, ela subia minha camisa úmida e apertava-me o corpo. A porta do elevador abriu em nosso andar, ela pulou em meus braços, envolvendo-me com suas pernas e fomos nos beijando até a porta do meu apartamento, cuja chave parecia querer brincar de emperrar justo naquele momento. Consegui abrir a porta. Entramos ainda nos beijando, a coloquei contra a parede – admito que naquele momento foi mais porque eu precisava de um apoio, meus braços estavam bem cansados, mas funcionou melhor do que eu pensava. Ela abria os botões de minha camisa enquanto eu tentava entender como se tirava aquele vestido complicado.
Abri os olhos e ela estava ao meu lado, na cama, me olhando dormir. Sorri e virei para cima dela, enquanto ela ria. Comecei a beijá-la, até que o despertador tocou.
- Droga! – Falou.
- O que foi? – Perguntei sendo expulso de cima dela.
- Tenho que ir trabalhar!
- Eu não preciso ir hoje...
- Mas eu sim! – Falou rindo enquanto enrolava-se no lençol e se levantava.
- Quero meu lençol... – Falei manhoso.
- Depois te dou!
- Eu quero agora, vai ter que ficar sem!
- Te ilude! – Disse ainda rindo. – Aonde estão minhas roupas?
- No chão do banheiro, provavelmente... foi lá que tiramos ontem.
- Pensei que tivesse sido na sala...
- Seu vestido é muito complicado, eu demorei mais para tirar.
- Na verdade não...
- Não?
- Quem teve que tirar fui eu!
- Agora vai rir de mim pelo resto da vida! – Falei e cobri o rosto com o travesseiro.
- Oonw... Que fofinho... Juro que pularia agora em cima de você, mas tenho que trabalhar! – Disse e correu para o banheiro. – Elas ESTÃO MOLHADAS AINDA!
- Estão úmidas, não exagere...
- Mesmo assim... – Apareceu fazendo bico, com as roupas em mão.
- Pode abrir meu guarda-roupa...
- Posso pegar aquela sua samba-canção fashion? – Perguntou sapeca.
- Aha! Sabia que você tinha gostado dela!
- Claro, impossível não se apaixonar por aquelas bananas amarelas reluzentes no verde-limão.
- Eu sei, eu sei. Eu tenho bom gosto.
- Tem mesmo. Afinal, está comigo. – Disse e foi se vestir (lê-se: colocar uma roupa minha).
- Beijos! – Disse beijando-me rápido e correndo para a porta ao lado, sua casa.

Capítulo 6
Uma mudança de casa leva a uma mudança de vida.


Não lembro bem a data, nem a quanto tempo estávamos juntos, mas já fazia um bom tempo. Estávamos vendo tevê à noite, deitados no sofá, quando LUA sentou em cima de mim e de frente para mim e me falou que não seria mais minha vizinha.
- Como? – Perguntei assustado.
- Isso mesmo que você ouviu.
- Você acha que esse apartamento cabe mesmo nós dois? – Perguntei sem querer dizer que talvez fosse invasão de espaço, se não isso levaria a uma DR.
- Bem, eu passo a maior parte do tempo aqui, quase todas as minhas roupas estão aqui, eu só não tenho a chave, sempre tenho que tocar a campainha...
- Mas aqui é tão desorganizado...
- Não acredito que você não me quer morando aqui! – Falou assustada.
- Claro que não é isso! Eu quero! – Falei também assustado.
- Bem, mas não é sobre isso que eu ia falar...
- Não? Estou começando a ficar confuso.
- Bem... Minha mãe – Disse e encostou sua cabeça em meu ombro, deixando a boca próxima a meu ouvido – está doente. Não sei a gravidade da doença, mas mesmo sendo sério ela nunca diz que é. Meu pai que me ligou dizendo para eu ir visitá-la. Se meu pai ligou é porque a coisa está séria. Pedi licença no trabalho, minha chefe compreendeu e aceitou, estou indo amanhã passar um ou dois meses na casa de meus pais. Quero cuidar dela, tudo bem?
- Erm... por que você não me falou isso antes?
- Fiquei com medo de sua reação...
- Putz! Estou surpreso!
- Desculpe...
- Tudo bem, ela é sua mãe. Mas... Na próxima vez, fale primeiro a mim, você sabe que pode contar comigo pra tudo, sempre. Não sabe?
- Sei...
- Que sei “murcho”.
- SEI! – Falou sorrindo e então a abracei.
- Nos falaremos todos os dias, se você deixar. – Disse em seu ouvido.
- Eu deixo.
No dia seguinte fui trabalhar, ela me ligou quando estava indo para a rodoviária, perguntou se eu poderia ir vê-la, mas eu estava muito ocupado. De noite liguei para ela, e assim o fiz todos os dias em que ela estava lá.
- Também te amo.
- Estou tão preocupada com você aí sozinho...
- Por que?
- Sua casa deve estar uma bagunça! – Disse rindo.
- Está mesmo! Mas quando você estiver voltando, vou arrumá-la para lhe receber!
- Sei...
- Acredite.
- Eu acredito.
- Te amo. Muito.
- Também. Sabe que eu nunca pensei que fosse me apaixonar por você?
- Mas EM?
- É sério! – Disse rindo. – Você me tratou mal da primeira vez que nos vimos, lembra?
- Verdade... por isso te trato bem agora, para recompensar.
- SÓ por isso?
- Deixa de querer elogios... – Falei sem graça.
- Ai! Mas elogios são tão bons! – Disse rindo. – Espera...
- ...
- ...
- ...
- ARTHUR, preciso ir. Meu pai está me chamando para ver um filme com ele.
- Mentira, né? – Perguntei sem acreditar.
- Sério. Ele já está velho, é melhor eu cuidar dele também.
- Tudo bem, me largue aqui.
- Dramático! Já faz três horas e meia que estamos nos falando!
- Todo dia a gente se fala por quatro horas...
- Então fico te devendo meia hora?
- Run...
- Oonw...
- Vai lá! Bom filme! E se alimente direito. Amanhã te ligo no mesmo horário.
- Tudo bem. Beijos, te amo. MUITO.
- Também te amo, beijos.
Todo dia, por mais tempo que ficássemos conversando, assim que desligávamos, eu ficava com uma vontade de “quero mais”. Mais de sua risada, mais de seus conselhos, mais de seus elogios, mais de sua preocupação, até mais de suas broncas. Eu queria sempre mais. Mais dela. Mais dela para mim.

Capítulo 7
Dois Anos e Seis Meses de Namoro.


- Pra cá! Pra cá! – Gritava e gesticulava, pedindo para que me passassem a bola.
- Vai para a esquerda! Vou te mandar e você vai de bicuda! – Gritou Cristopher.
- Beleza!
Saí correndo para a esquerda, tentado ser mais rápido do que os jogadores adversários que tinham escutado nossa estratégia. Antes que eu pudesse pensar em olhar para trás, vi a bola passando em minha frente. Driblei um, dois, picuda! Vai... vai... vai... GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!
E eu lembro como se fosse hoje, um bando de macho se abraçando e se pegando no braço porque ganhamos a pelada. Adorava ir naquele clube de futebol. Lá empresários e empregados mais simples se misturavam, se uniam em busca da vitória no campo! E bem, era a única atividade física que eu realmente fazia, pelo menos me deixava em forma.
- Cara, você precisava ver a cara do goleiro no segundo gol que fizemos! – Disse Marco.
- E eu não vi? Estava vendo de camarote, do meio do campo! – Respondi rindo.
- Quatro a dois foi melhor do que esperávamos! Valeu pelo último gol ARTHUR! – Disse Luís batendo em minhas costas, enquanto eu caminhava em direção ao chuveirão.
A água fria batia em minha pele e aliviava o calor que estava sentindo. Era uma sensação muito boa. E as únicas vezes que tomava banho frio.
- ARTHUR! Acho que é seu celular que está tocando! – Gritou alguém.
- Já pego! Não precisa atender! – Falei e continuei meu banho. Ficamos um bom tempo conversando no vestiário, e imitando as jogadas que fizemos. Nossos amigos do time adversário tinham que nos agüentar enchendo o saco deles porque perderam. Mas sempre era assim, quem perdia tinha que agüentar, e ainda pagar uma rodada de bebida para o grupo vencedor.
- Já podemos ir para o bar? – Perguntou Marco, rindo.
- JÁ! – Gritou o grupo de testosterona em uníssono.
- Gente, dessa vez eu passo. – Disse Cristopher.
- Como assim, cara? Você fez dois gols!
- Minha mulher está me esperando em casa...
- Só são dois dias no mês que a gente joga! Não acredito que ela não entende!
- Entende, mas hoje fazemos sete anos de casados... – Disse sem graça.
- Hum... – Um coro de homens falando.
- E sete anos também é só uma vez. Preciso comprar flores ainda! – Eu estava estático. Havia esquecido nosso aniversário de namoro. Havia lhe prometido estar no restaurante para almoçarmos juntos.
- Eu também preciso ir, gente! Até mais! – Falei e peguei minha mochila. Peguei o celular e havia vinte e cinco ligações. Talvez mais vezes do que ela conseguia apertar minha campainha.
Cheguei em casa e entrei, ela não estava. Já tinha dado uma chave da casa para ela, estávamos morando juntos. Toquei a campainha da porta ao lado mas ela também não atendeu. Escrevi um cartãozinho pedindo desculpas e deixei em cima da cama. Eram dez horas da noite quando escutei uma chave na fechadura da porta ao lado. Esperei e o barulho se desfez. Abri minha porta e pude ver que a luz estava acesa. Peguei o cartão, coloquei por debaixo da porta e toquei a campainha. Esperei, esperei, toquei mais algumas vezes a campainha. Não parava de vir barulho de dentro da casa, assinalando que ela estava mesmo lá dentro, mas ela se recusava a abrir a porta. Por fim, desisti e entrei em casa para dormir.
A campainha não parava de tocar. Levantei e abri a porta. Só fazia meia hora que tinha ido deitar.
- VOCÊ SABE QUANTO TEMPO FIQUEI TE ESPERANDO? – Perguntou furiosa.
- Eu estava na pelada... foi mal...
- A GENTE FALOU DISSO A SEMANA INTEIRA!
- Eu sei, mas não tenho culpa!
- ENTÃO DE QUEM É A CULPA? AINDA TIVE QUE AGUENTAR UMA VADIA ME PERGUNTANDO POR VOCÊ! COMO ELA SABE QUE EU E VOCÊ EXISTIMOS? SABE QUE EU POR POUCO TIVE QUE OUVIR COMO VOCÊ A TRATAVA NA DROGA DA CAMA?
- A CULPA É MINHA SE VOCÊ NÃO SABE MANDAR ALGUÉM CALAR A BOCA?
- ENTÃO É SÓ ISSO QUE VOCÊ TEM A FALAR?
- QUER SABER, VOCÊ SEMPRE FICA COM ESSE CIÚME BESTA!
- QUANDO MEU EX VOLTOU A ME PROCURAR, CIÚME NÃO PARECIA SER ALGO BESTA PARA VOCÊ!
- EU ERA IMATURO! - ENTÃO EU SOU IMATURA, É ISSO?
- É! E DÁ PRA PARAR DE QUEBRAR A DROGA DA MINHA CAMPAINHA??
- PODE DEIXAR! NÃO PRETENDO MAIS TOCÁ-LA! – disse e entrou em seu apartamento, batendo a porta. Fiz o mesmo e fui dormir. Estava cansado de tantas brigas por besteiras.

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