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11 de fevereiro de 2012

The Secret


                              
                                 

                                             Capítulo 5 - A Madrugada
 


- O que? – disse Arthur levantando-se assustado. 
- Shhhhhhhhhh
 Arthur . Eles ainda estão dormindo, e ainda é de noite. – eu falei baixinho. 
- Ok. – ele disse praticamente cochichando e indo para a cozinha na ponta dos pés.
 
Fui atrás dele do mesmo modo com o máximo de cuidado para não acordar os outros que ainda estavam num sono pesado.
 
- Ainda está de noite, dormimos praticamente a tarde inteira. – ele riu baixinho.
 
- É verdade... Que horas são será? – perguntei encostando-me em uma bancada.
 
Ele olhou para a parede que estava atrás de mim e logo respondeu. – 22:35.
 
- Ual,ainda ? Pensei que fosse de madrugada ou algo assim. – eu falei espantada.
 
- Pois é... – ele abaixou a cabeça.
 
-
 Arthur . O que é hein? Você está muito estranho para o meu gosto. – perguntei-o sem mudar minha expressão. 
- Nada. – ele disse ainda olhando para baixo.
 
Logo ele se locomoveu até a bancada onde eu estava encostada e permaneceu ao meu lado.
 
-
 Arthur ... – eu disse olhando em seus olhos. 
Ele se virou e ficou de frente para mim, e novamente segurou em minhas mãos assim como havia feito na noite anterior.
 
- Você é muito louco. – soltei um sorriso.
 
- Eu sei. – ele disse baixinho se aproximando cada vez mais de mim.
 
- Ei, eles podem... – cada palavra eu ia diminuindo meu tom de voz, até que de repente as palavras sumiram.
 
- Shhh... Eles estão dormindo, não vamos acordá-los ok? – ele disse olhando em meus olhos e encostando seu corpo ao meu.
 
- Ok. – eu disse colocando minhas mãos em seu rosto o que me fazia ter uma sensação muito boa, logo ele me beijou fazendo-me sentir a mesma sensação no estômago.
 
Era incrível como eu me sentia confortável com
 Arthur ali comigo, e era incrível também como eu não tinha medo de nada e de ninguém quando eu o tinha. Seu beijo era caloroso o que me fazia não querer sair dali jamais. 
- Eu sei que já disse isso, mas... Eu te amo cada vez mais intensamente e esse risco que corremos diariamente é o que me faz ter mais vontade de ter você por perto. –Arthur disse segurando em minha nuca e olhando fixamente em meus olhos com um sorriso no rosto.
 
-
 Arthur , eu também sinto exatamente isso. Mas é difícil ter que correr esse risco todo dia, ter que esconder coisas da minha melhor amiga. – eu disse olhando para ele sem mudar minha expressão. 
- Então fale logo de uma vez por todas. Eu não estou mais com ela, e acho que não há nada de errado em ficarmos juntos. – ele disse tentando me convencer.
 
- Você é muito idiota mesmo hein. Como não há nada de errado? Ah por favor,
 ArthurAguiar . – eu disse com um tom de voz irônico. 
- Você é quem sabe, por mim acabávamos com isso agora mesmo, acabávamos de ter que esconder isso dela. – ele disse soltando um leve suspiro.
 
- Ainda não é a hora certa, ok? – eu disse.
 
- Eu não vou mais agüentar ter que esconder isso por causa da
 Sophia , é sério. – disse ele quase gritando. 
- Ei, diminua se tom de voz, por favor. – eu pedi.
 
- Ai ai,nem acredito que dormimos até agora... –
 Micael disse chegando à cozinha e se deparando comigo e com Arthur um de frente para outro, muito próximos. 
Olhei para
 Micael assustada, mas sem me mover. 
- Opa, acho que estou interrompendo alguma coisa. – disse ele rindo.
 
- Não, você não está interrompendo nada eu e
 Arthur estávamos só... – eu disse indo para outra bancada. 
- Ok,não precisa terminar a frase. Só vim tomar um copo d’gua mesmo, aí vocês podem continuar. –
 Micael disse aparentando não se importar. 
- Não, não há nada para continuar, não é mesmo
 Arthur ? – eu disse já saindo da cozinha. 
Subi as escadas da sala com muito cuidado para que os outros que ainda estavam dormindo não acordassem. A cada momento que passava com
 Arthur eu me sentia muito bem, mas quando acabava todo aquele momento eu sentia minha consciência pesar cada vez mais. 
Logo entrei em meu quarto, abri as cortinas, deitei-me em minha cama e fiquei observando as estrelas.
 
Permaneci assim por algumas horas e sem perceber o tempo passar. Até que comecei a ouvir ruídos e vozes vindas de lá de baixo e logo saí de meu “transe”. Fui até a porta e fiquei estática ali por alguns segundos, até que a abri e lentamente desci as escadas.
 
- Mentira... – ouvi do canto da escada algumas palavras e risadas de
 Sophia com alguma voz masculina que eu não sabia identificar pela distancia que estava deles. 
- É sério... – continuei a ouvir a voz masculina que falava num tom baixo, mas que pude ouvir de onde estava.
 
Fui andando lentamente com cuidado para não derrubar nada e não fazer barulho com os pés, não que eu quisesse assustá-los ou algo do tipo, mas alguma coisa me dizia que eu deveria ser mais cuidadosa ao chegar.
 
Quando cheguei próximo ao sofá, onde eles estavam deitados me deparei com
 Sophia eMicael sentados um a frente do outro, no chão e seus rostos estavam ficando cada vez mais próximos. 
Continuei ali um pouco atrás, só observando-os até que toquei em uma jarra de vidro que se partiu ao chão fazendo todos moverem seus olhares para mim.
 
-
 Luinha ? Você não estava lá em cima dormindo? O que foi isso? – dizia Sophia me olhando. 
Olhei para meus pés e logo uma expressão assustada veio à tona e percebi o sangue em meus pés.
 
- Ai caramba, o que foi agora? – disse
 Chay ainda sonolento. 
- Eu acho que estou machucada. – eu disse tentando aparentar estar calma.
 
Rapidamente
 Chay e Micael vieram me ajudar enquanto os outros voltavam a dormir. Eles olharam para meu ferimento e logo foram para a cozinha ver se tinha algo que podia parar o sangramento. 
- O que foi isso? – disse minha mãe descendo as escadas rapidamente com um roupão que sempre vestia ao se levantar a noite.
 
- Nada mãe, eu derrubei uma jarra de vidro que estava em cima da mesinha de canto,e ela caiu bem em meu pé. – eu disse com o pé direito levantado, o pé onde estava o sangramento.
 
- Que horror.
 Chay , eu acho que esse pano não vai parar o sangramento,precisamos ir ao médico. – minha mãe disse assustada, mas sempre tentando manter sua voz num tom doce, o de sempre. 
- Mãe, não é para tanto... – eu tentava convencê-la.
 
- Se acalme, vamos ao médico já. – ela disse.
 
- Mas é uma da madrugada, fora o fato de todos estarem dormindo. – eu disse.
 
- É isso é verdade... Aqui não é tão fácil achar algum hospital que atenda emergências a está hora. – minha mãe disse tentando achar alguma solução.
 
- Então por enquanto vamos fazer um pequeno curativo já que temos alguns “kits de emergência” em casa,e pela manhã iremos ao médico. Pode ser? – ela perguntou mais calma.
 
- Claro... – eu disse feliz pelo fato de não ter que sair as três da matina.
 
- Ótimo,agora eu posso dormir? – disse
 Chay quase caindo de sono. 
- Vai logo. –
 Sophia disse. – E acho que eu também vou. – ela terminou de falar. 
Logo minha mãe pegou os kits e fez um pequeno curativo em meu pé, o que fez melhorar muito.
 
- Prontinho, agora acho que vou indo. – minha mãe disse.
 
- Ok mãe, obrigada. – eu disse.
 
- De nada,agora se me permite preciso dormir. – minha mãe disse subindo as escadas.
 
- Ei
 Sop , não quer dormir lá em cima? Aqui está muito apertado pra vocês, não é? – eu convidei-a. 
- Por mim tudo bem. – ela sorriu.
 
Subimos para meu quarto e logo puxei a cama de baixo para ela dormir.
 
Enquanto pegava alguns lençóis e cobertor, ela ficou sentada em minha cama até que ouvimos alguém batendo na porta.
 
- Ei
 Luinha , podemos conversar agora? – dizia a voz masculina mais perfeita que eu já ouvi. – Agora que estão todos dormindo eu acho que... – Ele abriu a porta e se deparou com Sophia . 
- Ah, oi
 Sop . – ele sorriu sem graça. 
-
 Arthur ? O que está fazendo aqui? – eu olhei-o assustada. 
- Podem conversar, não me interessa nada da conversa de vocês. –
 Sophia disse. 
- É que... –
 Arthur tentava dizer quando foi interrompido por Sophia . 
- Quer saber? Podem conversar a sós, eu estou de saída. – ela disse saindo do quarto.
 
Continuei olhando para a porta onde
 Arthur continuava parado e aparentemente confuso, como eu. 
- O que... Houve com ela? – ele perguntou dando um passo a frente.
 
- Não faço a mínima idéia. Ou talvez... Ciúmes. – eu disse.
 
- Pode ser... – ele disse ainda um tanto que confuso.
 
- Mas o que você queria me falar mesmo? – eu perguntei-o.
 
- Acho melhor deixar isso para outro dia. – ele disse me olhando.
 
- Então ok... É, você vai dormir a onde? – eu perguntei olhando-o.
 
- Não sei se terei coragem o suficiente para descer essa escada. – ele disse sorrindo.
 
- Então... – ele me interrompeu.
 
- Então eu vou dormir aqui. – ele fechou a porta.
 
- Agora eu tirei minhas conclusões. Você é realmente, definitivamente o cara mais louco e mais lindo que eu já vi. – eu pulei em cima dele.
 
- E você é a menina mais chata e mais... – ele disse me segurando no colo.
 
- E mais...? – eu disse.
 
- Acho que perfeita não seria a palavra certa. – nós rimos juntos.
 
- Seu chato. – eu disse ainda em seus braços.
 
- Será que agora podemos ter uma noite de sono tranqüila? Depois dessa noite que foi tão longa. – ele perguntou sem tirar o sorriso do rosto.
 
- Eu espero que sim. – eu disse bocejando.

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