Capítulo 2 - A Melhor Amiga
Acordei com a luz do sol brilhando em meu rosto. Havia esquecido completamente de fechar a cortina quando me deitei na noite anterior, talvez estivesse muito preocupada com assuntos mais importantes, do que ‘fechar a cortina’.
Espreguicei-me e logo fui para a cozinha.
- Bom dia mãe. – disse eu, tentando abrir um sorriso.
- Bom dia filha. – respondeu ela, delicada.
- Onde está meu pai? – perguntei, como se isso tivesse importância.
- Ele já foi trabalhar. – respondeu ela.
- Mas como? Estamos em plenas férias ... – disse eu tentando criar assunto.
- As férias do seu pai acabaram hoje. – disse ela soltando um riso no final da frase.
- Ah sim... – respondi subindo as escadas.
- Filha, você não vai comer? – perguntou minha mãe perdendo o tom doce de sua voz.
- Vou... Mas espere. – respondi já no topo das escadas.
Cheguei ao meu quarto, procurei alguma roupa que me fizesse me sentir melhor, quando estiquei meu braço para tocar em um vestido azul celeste, o telefone tocou.
- Alô? – atendi com curiosidade.
- Luinha! – uma voz terrivelmente animada gritava meu nome.
- Ah, oi Sop. – disse eu tentando ter a mesma animação que ela.
- Nossa, que animação... – ela disse percebendo o meu entusiasmo.
- Está tão na cara assim é? Ah me desculpe... – respondi.
- Sem problemas, mas o que houve? – perguntou ela.
Neste exato momento senti meu rosto congelar assim como meu corpo, Sophia era minha melhor amiga e eu queria muito contar-lhe o que se passou na noite anterior, com o... Namorado dela. Por incrível que pareça, ela não sabia que Arthur o abandonou na noite anterior para vir me ver. Sentia-me muito mal por ter de esconder isso dela.
- Nada... Só acordei com meu humor lá em baixo. – respondi tentando fazê-la acreditar.
- Ah ok então... Não vejo à hora de começar as aulas, só falta UMA SEMANA! – disse ela fazendo me lembrar que a droga de aula estava chegando.
- É verdade... – dei uma risada falsa. – Mas e aí? Como foi a festa ontem?
- Fora o fato de o Arthur ter me deixado sozinha na festa porque segundo ele, teria ‘esquecido o celular em casa, e não poderia ir a festa sem o celular’,a festa foi ÓTIMA.
Como? Celular? Esquecido? Sozinha? Essas palavras me confundiram ainda mais.
- Wow... - foi apenas o que consegui dizer.
- Mas e o Micael? Ele apareceu na festa sozinho, sem você. Até estranhei... – disse ela.
Micael Borges nada mais era que um amigo nosso.
- O Micael? Não sei,desde o inicio das férias só o vi uma vez. - eu disse.
- Sei... Ok Luinha,preciso ir ,vou para as comprar com a Mel. – disse ela apressada.
- Ok,tcha... – quando ia terminar de falar, ela já havia desligado.
Tudo estava muito confuso no meu mundo. Primeiro Arthur Aguiar, meu melhor amigo, chega em casa quando deveria estar curtindo a festa com minha BFF que por acaso é a namorada dele,briga comigo por um motivo que eu ainda não havia entendido e vai embora. No outro dia a Sop me liga falando que o Arthur a deixou sozinha na festa,deixou de tocar na festa, para buscar algo que ele havia esquecido, quando na verdade ELE ESTAVA EM MINHA CASA. Minhas duas melhores amigas foram às compras e não me convidaram para ir junto mesmo sabendo que meu dia estava péssimo.
Com tudo isso, fiquei péssima, mais do que já estava.
Voltei para o meu armário e logo peguei o vestido azul celeste, entrei no banheiro e fiquei paralisada por alguns minutos, olhando para mim mesma no espelho, eu não piscava, não sorria. Minha expressão era a mesma. Logo fui interrompida por minha mãe na porta:
- Luinha ,tem visitas, saia daí.
Que visitas? Eu não estava esperando por ninguém, todos estavam passeando e curtindo e eu em casa, sozinha.
- Quem é? – perguntei sem o menor animo.
- Surpresa. – disse minha mãe, rindo.
Vesti o vestido com pressa e logo abri a porta. Desci a escadaria de madeira com calma, e me deparei com Micael ,Chay ,Arthur ,Rodrigo e Sop .
- Gente ? – falei surpresa.
- Eu disse que ela ia ficar surpresa. – disse Chay .
- Já está pronta? – Micael perguntou.
- Ãn? Pronta para o que? – perguntei confusa.
- Você acha mesmo que iríamos ao boliche sem você? – disse Sophia .
- Não vou mentir, eu achava. – disse eu rindo.
- Então você não nos conhece quanto imaginávamos. – disse Micael .
- Ok, eu vou subir para vestir algo melhor e já volto. – eu disse.
- Vestir algo melhor? Mas... – Arthur desistiu de formar a frase.
- Arthur ! – Micael chamou atenção dele.
Subi as escadas novamente, vesti algo mais apropriado para ir ao boliche. Uma calça jeans,uma ‘T-shirt’ do Mickey e uma jaqueta. Ao contrario dos outros dias, o sol voltou a raiar e já não estava tão frio quanto antes. Fiz um rabo de cavalo no meu cabelo, calcei um all star e pronto. Estava perfeito.
Voltei para baixo e todos estavam rindo de alguma coisa que Chay tinha dito, mas isso não me interessava.
- Pronto, vamos? – disse eu.
Todos fomos para o carro de Arthur e ao som de ‘Good girl go bad’ fomos até o shopping,aonde se encontrava o boliche.
Arthur estava dirigindo e Sophia estava sentada ao seu lado. Como sempre.
Eu estava ao lado de Micael ,mesmo sem me importar com ele. Estava na janela, tomando um ar.
- Até que hoje não está tão frio quanto antes. – disse Chay .
- Concordo plenamente. – disse Micael .
- Trânsito. Que droga. – disse Arthur .
Eu não ouvia muito do que eles falavam, só prestava atenção na rua, nas pessoas que passavam, nos carros e até mesmo na música.
- Chegamos. – disse Sophia .
- Sop , por que você não chamou a Mel ? – perguntei.
- Eu não chamei? É claro que chamei, ela que não quis vir, pois tinha deveres a fazer, mas vamos curtir muito mesmo assim. – disse ela animada.
Entramos no boliche, eu curtia jogar mesmo sendo um tanto péssima.
- Amanhã à noite temos um show, aqui em Brighton mesmo, e vocês duas vão vir também não é? Conseguimos um lugar especial para vocês! – disse Micael .
- Claro. – disse Sophia .
- Por mim tudo bem. – disse eu sorrindo.
Sophia , Chay e Rodrigo estavam mais a frente jogando, eu estava sentada na mini-lanchonete que lá havia.
- Por que não está jogando? – perguntou Arthur .
- Pergunto o mesmo pra você. – disse eu sorrindo ironicamente.
- Para de ser chata um pouco! – exclamou ele.
- Chata? Arthur você me fez chorar ontem ok? E hoje você age como estivesse tudo normal. – disse eu com um tom nervoso na voz.
- Luinha , eu queria muito te explicar tudo mas ainda é muito cedo, eu juro que você vai saber de tudo ,um dia, ok? – disse ele suspirando.
- Isso foi um pedido de desculpas? – perguntei.
- Claro que foi sua boba. – disse ele.
- Arthur , eu só estou aceitando suas ‘desculpas’ porque você é um amigo muito especial ok? – disse eu num tom superior ao dele.
- Ok – ele me abraçou.
- Amanhã à noite, será ‘A NOITE’ – cochichou ele no meu ouvido.
Mesmo sem ter entendido direito o que ele havia dito, eu disse:
- Chega de segredos, por favor. – pedi.
- Não se preocupe. – cochichou ele, ainda no mesmo abraço.
- Agora acho que é melhor a gente parar com esse abraço. – ordenei.
O nosso abraço foi duradouro, ficamos minutos ali, abraçados. Era incrível como eu sentia-me super acolhida com seu abraço, o melhor do mundo.
- Arthur , vem aqui agora. – Sophia o chamou.
E ele foi. Não sei o que ela pensará sobre o que talvez houvesse visto, não sei quem viu o nosso abraço e os nossos cochichos, não sei o que pensarão sobre tal fato. Só sei que EU me senti bem aos seus braços.
Continuei ali, parada, bebendo uma coca-cola, sozinha.
- Sozinha novamente? – Micael disse fazendo eu me assustar.
- QUE SUSTO ! – disse eu ainda assustada.
- Nossa, desculpa... Mas por que você está sozinha? Viemos aqui para todos ficarmos juntos, curtindo e você nunca segue nossos planos. – disse ele numa voz doce e ao mesmo tempo dizendo palavras duras de ouvir.
- Me desculpe Micael ... Mas não sei o que está havendo comigo, sinceramente. – disse eu.
- Eu não sei o que posso fazer por você, mas se precisar de alguma coisa você pode falar comigo porque eu estarei sempre aqui, de braços abertos para te ouvir, seja lá o que você quer dizer. – Micael disse sincero.
- Ok Micael ... Eu tenho medo de falar... Entende?
- Luinha , se você guardar seus sentimentos para si mesma, pode ser pior. – ele disse.
- Eu vou falar tudo o que eu puder, no tempo certo, mas sinto que este tempo ainda não chegou. – disse eu.
- Você é quem sabe. – disse ele sorrindo.
- Você não quer nada para beber? – perguntei a ele.
- Hum... Acho que aceito uma coca – aceitou ele soltando alguns risos ao final.
Continuei ali batendo um papo de amigos com Micael . Ele definitivamente é o meu segundo Guy preferido, o primeiro todos sabem quem é.
Algum tempo depois de ficar ali com Micael na lanchonete,percebi que só estavamRodrigo e Chay jogando,senti falta de Sop e Arthur , e como uma boa amiga fui atrás deles.
Andei um bom tempo pelo boliche, pois era um local grande e vi-os em um canto afastado de todos. Um lugar escondido. Fiquei paralisada por um tempo observando-os e ao contrario do que eu pensava, eles não estavam trocando caricias nem beijos. Eles estavam brigando.
Eu não ouvia muito bem o que eles estavam dizendo um ao outro, mas era perceptível que Sophia não estava de brincadeira com Arthur .
Continuei ali,paralisada e eles nem ao menos repararam na minha presença,esperei até que eles saíssem dali quando ouvi algo do tipo:
- Esquece Arthur , se você quer isso, VOCÊ VAI TER. – Sophia disse com um tom de voz nervoso e muito alto. Logo ela saiu deixando-o sozinho.
Ela não pode me ver, pois estava escondida atrás de alguma cortina preta que teria ali. Mas quando Arthur ia passando, puxei-o:
- Seu idiota, idiota, idiota, idiota, ridículo... – eu xingava-o desesperadamente.
- Calma Lua , o que você quer também? Já não basta a Sophia me enchendo, agora você também? – disse ele nervoso.
- Arthur eu não estou te enchendo, não importa o que você fez, mas você magoou minha melhor amiga e eu te disse para não fazer isso porque a única pessoa que mais sabe o quanto a Sophia te ama,sou eu e parece que não fui clara quando disse para não magoá-la.
- Lua quando eu disse que você ainda não entendia nada e que um dia irá entender, parece que eu também não fui claro. – respondeu ele.
- Eu não agüento mais esse tipo de segredo Arthur , chega de segredos eu não agüento mais você escondendo coisas de mim. Seja o que for você pode me falar agora, eu não vou ligar,só quero que isso pare a partir de agora. – ordenei.
Arthur abaixou a cabeça.
- Anda Arthur , seja o que for. – falei.
- Luinha ... Eu juro que não queria esconder isso de você, do fundo do meu coração. – respondeu ele.
- Arthur quando eu disse para você falar seja o que for não foi uma pergunta. Foi uma ordem. – falei novamente.
Agachei-me e logo senti uma lágrima escorrendo novamente, pela mesma pessoa, pelo mesmo motivo. Segredos. Eu já não conseguia suportar aquela confusão e todos aqueles segredos em minha mente,quando tudo aquilo seria revelado e de uma vez por todas ficar livre de toda a confusão,de todas as brigas.
Enxuguei as lágrimas e saí rapidamente daquele local.
- Cadê a Sophia ? – perguntei.
- Ela foi embora, está tudo muito confuso. – disse Rodrigo lançando uma bola.
- Como assim ‘ela foi embora’? Como vocês, seus idiotas, a deixaram ir à uma hora dessas sozinha para casa? – falei não acreditando em tal fato ocorrido.
- Eu disse que poderia a levar, mas ela não quis... – disse Chay .
- Seus irresponsáveis – gritei correndo para fora do local.
Já estava de noite,e ao contrario de quando nós chegamos,estava muito frio. A minha jaqueta já não podia proteger-me daquela geada que fazia. Fui fraca, e desisti de ir sozinha atrás de Sophia , então voltei para dentro e disse.
- Está muito frio lá fora, que tal alguém aqui dentro ser um pouco mais cavalheiro e me oferecer uma carona? – perguntei.
- Tudo bem,já estamos indo embora mesmo. – disse Arthur encarando-me.
Encarei Arthur com um ódio no olhar, eu não podia acreditar no que ele havia feito, foi um ato covarde, deixar uma moça ir embora sozinha, a pé ou de ônibus neste frio e ainda à noite.
Fomos em direção ao estacionamento, entramos no carro. O silencio e a tensão invadiram o local.
- Er... – tentava Chay puxar assunto.
Continuamos assim até chegar a minha casa.
- Tchau, e eu espero que a Sophia esteja salva em casa, porque caso ao contrario eu juro que eu te mato Aguiar . – eu disse com raiva na voz e no olhar.
- Me desculpe Luinha . – pediu ele.
- Desta vez não Aguiar . – falei me virando para a porta.
Logo o carro saiu.
Abri a porta e encontrei minha mãe já com seu pijama sentada ao sofá assistindo algum programa inútil.
Subi as escadas sem ao menos falar ‘oi’ para ela, só sentia ela me observar esperando que eu falasse pelo menos um ‘boa noite’. Cheguei ao meu quarto e bati a porta.
Corri para meu celular e havia 15 chamas perdidas de Sophia , logo fiquei preocupada e retornei a ligação:
- Alô? – disse eu esperando que Sop respondesse ao outro lado da linha.
- Luinha ? – ouvi a voz delicada de Sop .
- Sop ! Graças a Deus, eu fiquei tão preocupada, você saiu de repente e... – Sophia me interrompeu.
- Calma Luinha , está tudo bem,estou em casa e fim. Agora eu preciso dormir, tchau beijos.
- Tchau...
Desliguei o telefone.
Fui para o banheiro, liguei a água da banheira enquanto desamarrava meu cabelo e tirava minha roupa. Logo entrei na banheira que já estava coberta de espumas e fiquei ali por um bom tempo, tentando relaxar.
Quando saí da banheira percebi que já eram meia-noite e que eu deveria ir dormir,pois amanhã terá o show do McFly e o Aguiar disse que será ‘A NOITE’,eu não agüentava a ansiedade.
Logo fui para minha cama e rapidamente peguei no sono ao ouvir o barulho intrigante da chuva.
Capítulo 2 - A Melhor Amiga


















Nenhum comentário:
Postar um comentário